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Porto Alegre, quinta-feira, 31 de maio de 2018.
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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 01/06/2018. Alterada em 30/05 às 17h39min

Situações mundiais

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


REPRODUÇÃO/JC
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mundo passou por grandes transformações, de ordem social, econômica e política. As relações internacionais pós-guerra passaram a ser estudadas sob diferentes enfoques. A histórica Guerra Fria, entre os Estados Unidos da América e a União Soviética, foi um grande exemplo de como um evento desse porte passou a ser visto e analisado pela geopolítica. Antigamente, a geopolítica tratava mais de geografia e história, mas, com o tempo, ela foi agregando relações com outras área das ciências.
Atualmente, são temas por excelência da geopolítica a globalização, o conflito árabe-israelense, a influência dos Estados Unidos no mundo - especialmente após o término da Segunda Guerra -, bem como a questão da nova ordem mundial e da utilização de recursos energéticos.
Prisioneiros da Geografia - 10 mapas que explicam tudo o que você precisa saber sobre política global (Zahar, 284 páginas, tradução de Maria Luiza X. de A. Borges), do renomado jornalista e escritor britânico Tim Marshall, explica a geopolítica global abrangendo heranças do passado, como a formação de nações. Com mais de 30 anos como repórter, Marshall cobriu dezenas de conflitos na Croácia, Bósnia, Macedônia, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Líbano, Síria e Israel, trabalhando para a BBC e para a Sky News, além de jornais como The Times, Sunday Times e Daily Telegraph.
Prisioneiros da Geografia, com linguagem acessível e utilização de mapas centrais, examina as principais regiões estratégicas do mundo: Estados Unidos, Rússia, China, Europa Ocidental, África, Oriente Médio, Índia, Paquistão, Japão, Coreia, América Latina e Ártico. Para essa edição brasileira da obra, Marshall reviu e atualizou o texto, incluindo os desenvolvimentos mais recentes da geopolítica mundial, com seus caminhos e reviravoltas.
O livro de Marshall é, sem dúvida, um bom instrumento para tentar entender este nosso mundo complexo, caótico e interligado. Ele mostra que ideologias vão e vêm, mas a realidade geopolítica perdura, e nações - grandes ou pequenas - estão sujeitas à sua geografia, geografia esta que aprisiona seus líderes, limitando suas escolhas e diminuindo a margem de manobra.
A obra tornou-se, merecidamente, um best-seller internacional e agora os leitores brasileiros têm essa cartilha útil e concisa para entender o planeta.

lançamentos

Sombra silêncio (Casa Verde, 112 páginas), do artista plástico, fotógrafo, editor e escritor Roberto Schmitt-Prym, apresenta poemas que tentam ordenar o caos interior e exterior. Os versos tratam do anonimato e da solidão. "Trabalhador lento e meticuloso/ em busca da forma/ passava anos em bares/ depois de cinco bourbons/ josé hierro/ pensava que só existiam/ sombra silêncio vazio/ existiam."
Longe daqui, aqui mesmo (Diadorim Editora, 62 páginas), livro de contos com ilustrações de João Salazar, é a estreia literária do jornalista, editor e tradutor Flávio Ilha. Tailor Diniz e Paulo Scott escreveram apresentações elogiosas dos textos sutis e bem elaborados sobre pessoas, esperanças e o vai e vem das relações, com suas sombras e luzes. Estreia madura, promissora, merece saudação.
Guri do cimento (Casa 29, 64 páginas), novela infantojuvenil do premiado escritor e jornalista Luís Dill, mostra um menino sem família que sobrevive no ambiente hostil da rodoviária de uma metrópole. Humor, esperteza e, sobretudo, esperança estão na narrativa, especialmente em momentos de perigo. Dorme ao relento, no cimento novinho de uma obra, torce para não chover, mas a chuva não o preocupa.

Tive um sonho

Sonhei o sonho dos sonhos, o pai dos sonhos, um sonho incrível. No meu sonho, imagina só, o futuro do Brasil tinha chegado, trazido por modernos aviões, trens rapidíssimos, navios inafundáveis, automóveis digitais e grandes caminhões com tanques absolutamente cheios de combustíveis a serem vendidos a preços razoáveis. O Brasil tinha deixado de ser o eterno País do futuro e da semana que vem. O Brasil tinha chegado junto.
Sonhei que tínhamos um Churchill tropical na presidência, um líder consistente, um grande homem corporificando nossas grandes qualidades e nossos pouquíssimos defeitos. Um presidente que conseguira agregar, ao menos, uma ampla maioria em favor dos reais e bons interesses coletivos. Sim, no meu sonho os nossos pátrios interesses coletivos tinham superado os interesses individuais, tantas vezes mesquinhos e deletérios.
Sonhei que o foco do poder estava na política e que a economia, descolada da política, estava democratizada, produzindo bem-estar social e igualdades diversas. Os donos do poder financeiro-empresarial, que eram donos dos políticos, do dinheiro público e de tudo mais, agora não eram mais donos do Patropi. Os donos do poder eram os cidadãos, imagina só. Os brasileiros em carne e osso. Os donos do poder financeiro-empresarial se preocupavam com o humano e o social, até com poesia se ocupavam.
Sonhei que os grandes meios de comunicação e também os médios e pequenos, estavam cumprindo suas missões de ser uma imprensa realmente merecedora deste nome, uma imprensa não atrelada aos interesses dos donos dos campinhos federais. Uma imprensa livre como as gaivotas.
Sonhei que os políticos e os partidos pensavam no interesse público e no bem dos eleitores. Sonhei que os políticos eram honestos, eleitos por suas propostas e planos para um Estado Federativo, Republicano de verdade e que as urnas, soberanas e verdadeiras, trouxeram políticos não comprometidos com gordas verbas eleitorais, com estranhas ideologias ou falta delas e com os donos dos cordéis manipuladores de títeres.
Sonhei que estávamos ótimos de saúde, segurança, educação e que nossa fama internacional tinha mudado, fazendo pessoas trabalhadoras e capitais benéficos chegarem alegremente por aqui. Sonhei que íamos para o exterior só para viagens de lazer, estudos ou trabalho temporário. Sonhei que as pessoas não precisavam deixar os campos e os interiores para digladiar nas grandes cidades ou em outros países.
Sonhei que o consumo e o tráfico de drogas, lícitas e ilícitas, estavam tremendamente diminuídos e controlados, e que os brasileiros caminhavam por aí, sem medo, para cuidar da saúde física e mental. Sonhei que tinha pintado uma grande limpeza, tipo oceânica, e uma saúde de tamanho amazônico. Sonhei um sonho sem fim. Um sonho de bicicleta ecológica nórdica, um sonho autossustentável neozelandês, um sonho azul-turquesa mar do caribe. Isso, sonhei um sonho duca, ducaribe, dubaralho.

a propósito...

Sonhei que não queria acordar e, muito menos, parar de sonhar. Dizem que o que um homem sonha outro pode realizar. Deus me ouça. Deus não é brasileiro? O sonho é livre, é a coisa primeira e, às vezes, a última. O sonho deve ser também a coisa do meio, toda hora. Sonhei que o Brasil não ia mais dar para trás, voltando para o passado, quando ele era eternamente futuro. Só futuro e coisa boa no sonho, para todos os diversos brasileiros. Sonhei que a coisa era possível, que tudo era possível e que a única coisa eterna era a mudança. Ou, quem sabe, a única eternidade era o sonho de mudança. Sonhei até que, além de sonhador, eu era um fazedor, tipo assim muitos e muitos compatriotas. (Jaime Cimenti)
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