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Porto Alegre, domingo, 29 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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Ásia

Notícia da edição impressa de 30/04/2018. Alterada em 29/04 às 19h49min

Coreia do Norte fechará zonas nucleares em maio, diz Seul

Reunião decidiu pontos a serem tratados nos próximos meses

Reunião decidiu pontos a serem tratados nos próximos meses


/KOREA SUMMIT PRESS POOL/AFP/JC
O ditador norte-coreano, Kim Jong-un, prometeu fechar as instalações de testes nucleares de seu país em maio deste ano, anunciou, no domingo, o governo da Coreia do Sul. Segundo o porta-voz da presidência sul-coreana, Yoon Young-chan, Kim ainda disse ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que especialistas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos serão convidados para acompanhar o processo e repassar informações à comunidade internacional com transparência.
O comunicado de Seul é o exemplo mais recente da virada diplomática entre os países nos últimos meses. Durante o histórico encontro entre os dirigentes das duas Coreias na sexta-feira, ficou estabelecido que haverá a desnuclearização total da península. No passado, os norte-coreanos já disseram que só poderiam abrir mão de suas armas nucleares quando os EUA tirassem seus 28 mil soldados da Coreia do Sul, mas Kim teria, segundo Seul, aberto mão dessa exigência em troca de outras garantias para a segurança de seu país.
O encontro, o primeiro entre lideranças das duas nações desde 2007, é o ápice da distensão entre as Coreias, marcada pela participação de uma equipe mista nas recentes Olimpíadas de Inverno, em solo sul-coreano.
Outro indicativo da mudança de postura do regime norte-coreano é a disposição, também informada pelo governo do Sul, de Kim Jong-un em discutir a normalização das relações com o Japão. O gabinete do presidente Moon Jae-in diz que Moon passou a informação ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou o momento histórico de reaproximação entre as Coreias para reivindicar crédito pelo encontro. "Vamos fazer um grande favor ao mundo (com o acordo). Vamos ver como as coisas se desenvolverão, mas creio que nos sairemos bem", disse o republicano durante comício na noite de sábado em Michigan.

O que se decidiu na cúpula:

  • Tratado de paz
Acabar com o estado de guerra, que permanece como pendência do confronto, entre 1950 e 1953, que selou a divisão da península. As Coreias continuam tecnicamente em guerra, já que o conflito terminou apenas com um armistício. Agora, Moon e Kim indicaram que vão buscar encontros multilaterais com a participação de China e EUA – signatários do armistício – para transformar o acordo em tratado de paz.
  • Reuniões de famílias
Organizar, em agosto, uma nova reunião entre famílias separadas desde o encerramento das hostilidades da Guerra da Coreia, em 1953, quando milhares de coreanos ficaram sem a possibilidade de obter notícias dos parentes dado o isolamento do Norte. Desde 1985, 19 rodadas de reuniões foram realizadas com participação de 18.880 coreanos. Mais da metade dos 66 mil sul-coreanos que aguardam um reencontro têm 80 anos ou mais. A última reunião foi em setembro de 2015.
  • Gabinete conjunto
Estabelecer um Gabinete de Ligação Conjunto, com representantes de ambos os países na região de Gaeseong, próxima à fronteira, para facilitar consultas entre autoridades. Uma linha telefônica direta entre os gabinetes de Kim e Moon já foi ativada antes da cúpula.
  • Reuniões de defesa
Encontros entre autoridades militares serão organizados para garantir a cooperação mútua. A primeira reunião deve ser em maio. Os líderes coreanos se comprometem com um processo de desarmamento gradual, a ser implementado à medida que a confiança entre as duas partes cresça.
  • Fim das hostilidades
Diminuir a tensão militar, com o “fim de todos os atos hostis contra o outro em qualquer domínio, incluindo terra, ar e mar”. Além disso, os países decidiram transformar a Zona Desmilitarizada – criada em 1950, com o armistício, que divide as duas nações – numa “zona de paz”, com o encerramento de atos hostis a partir de 1 de maio. Os meios de propaganda anti-Norte – alto-falantes, cartazes e panfletos na fronteira – serão eliminados, assim como os canais anti-Sul.
  • Apoio econômico
Implementar projetos para promover o crescimento econômico equilibrado das duas nações. Para começar, os dois lados concordaram em adotar medidas práticas para conectar e modernizar ferrovias e estradas. A Coreia do Norte é uma economia centralmente planejada, fortemente afetada por sanções internacionais. Já o Sul é um país capitalista altamente desenvolvido, que teve o apoio maciço dos EUA desde o armistício da Guerra da Coreia.
  • Desnuclearização
Um dos temas mais espinhosos era o processo de desnuclearização da Coreia do Norte, cujo programa de armas atômicas provocou a imposição de sanções internacionais. As duas Coreias confirmaram o “objetivo comum de alcançar, por meio da desnuclearização completa, uma Península Coreana livre de armas nucleares”. Seul e Pyongyang se comprometeram a buscar “o apoio e a cooperação da comunidade internacional” para esse objetivo, mas não falam em desarmamento unilateral norte-coreano nem estabelecem prazo. O que não foi dito é importante, porque, embora não tenha armas nucleares, a Coreia do Sul tem a proteção do “guarda-chuva nuclear” dos EUA, que, além disso, mantêm no país 35 mil soldados. 
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