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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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Paraguai

Notícia da edição impressa de 24/04/2018. Alterada em 23/04 às 20h14min

Cenário político depende de configuração do Senado

Se a Frente Guasú conquistar mais assentos, ex-presidente Fernando Lugo (c) pode retomar protagonismo

Se a Frente Guasú conquistar mais assentos, ex-presidente Fernando Lugo (c) pode retomar protagonismo


/NORBERTO DUARTE/AFP/JC
Com o resultado da eleição presidencial, a expectativa, agora, no Paraguai, é sobre a configuração do novo Congresso, principalmente as 45 cadeiras do Senado. A vitória de Mario Abdo Benítez, o Marito, determina a continuidade do Partido Colorado no Poder Executivo, mas a sua capacidade de implementar os programas que deseja depende do tabuleiro de forças na Casa.
Atualmente, o Colorado tem 19 cadeiras, e a segunda força no Senado é o Partido Liberal, com 13 assentos. No entanto, as pesquisas indicam que a Frente Guasú, do ex-presidente Fernando Lugo, pode passar a ocupar o segundo lugar, o que obrigaria o governo a buscar alianças com os opositores para conseguir aprovar sua agenda.
"Esse é o resultado de dez anos de trabalho, são cinco senadores agora e acredito que seremos mais e continuaremos crescendo como coalizão política", afirmou Lugo no domingo, depois de votar. Com a perspectiva de continuidade do Partido Colorado no poder, as siglas de oposição chegaram a fazer campanha para que os eleitores votassem de maneira cruzada, ou seja, que optassem pelo presidente de um partido e a composição do Congresso de outro.
O histórico de alianças políticas entre opositores no Paraguai não é novidade. O atual presidente, Horacio Cartes, por exemplo, precisou fazer uma aliança com o Partido Liberal, o chamado "pacto alzugrana", nos dois primeiros anos de governo para aprovar medidas. Na ocasião, Cartes chamou o acordo, que previa o controle da Câmara para os liberais e do Senado para os colorados, de "histórico".
Se a Frente Guasú ocupar a segunda posição no Senado, Lugo - atual presidente da casa legislativa - ganhará mais protagonismo na política atual do país. Presidente a partir de 2008, após 60 anos de governo colorado, ele ficou no cargo até 2012, quando foi destituído acusado de incapacidade política para resolver uma crise de disputa de terras, após a morte de 17 pessoas em confrontos.
A aliança entre Cartes e o Partido Liberal permitiu a destituição de Lugo, que agora é aliado dos liberais. Em entrevista à rádio ABC, Lugo afirmou não ter ressentimento dos liberais pelo processo de destituição e que precisa fazer concessões se quiser mudar o país.
Se confirmada a vitória, Lugo deve ter seu primeiro embate com Cartes, uma vez que o atual presidente vê a candidatura do liberal como inconstitucional. Segundo a lei paraguaia, todos os ex-presidentes são senadores vitalícios, mas sem direito a voto. No caso de Lugo, ele pôde se candidatar em 2013 e ganhou. 
 
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