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Porto Alegre, segunda-feira, 16 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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oriente médio

Notícia da edição impressa de 17/04/2018. Alterada em 16/04 às 20h54min

Inspetores são barrados em Douma

A visita que inspetores internacionais fariam ontem à Síria para analisar um suposto ataque químico foi adiada, levando a uma troca de acusações entre a Rússia e potências ocidentais sobre a responsabilidade pelo atraso. O governo britânico disse que Damasco e Moscou impediram a ida dos agentes da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) até a cidade de Douma, onde teria acontecido o ataque no dia 7 de abril que deixou cerca de 40 mortos e 500 feridos.
Reino Unido, Estados Unidos e França culpam a Síria, que tem apoio da Rússia, pelo ataque, mas o governo de Bashar al-Assad nega participação. Por isso, os três países autorizaram uma ofensiva aérea contra a Síria no sábado (noite de sexta-feira no Brasil), mesmo dia da chegada dos inspetores da Opaq em Damasco. Moscou afirma que foi este ataque que acabou adiando a visita.
"O problema é a falta de garantias do Departamento de Segurança e Proteção da ONU para os especialistas da Opaq visitarem o local em Douma", argumentou o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov. "O que tem impedido uma resolução rápida deste problema são as consequências da ação militar ilegal e ilegítima feita pelo Reino Unido e por outros países no sábado", afirmou.
Em resposta, o representante britânico na Opaq, Peter Wilson, afirmou, em entrevista coletiva em Haia, na Holanda, que a equipe foi liberada pela ONU para ir a Douma, mas não conseguiu chegar ao local porque Rússia e Síria não deram garantias de segurança. Ele disse que o acesso sem restrições ao local é necessário e que Damasco e Moscou devem cooperar com a investigação internacional.
Já o enviado norte-americano para a organização, Kenneth Ward, levantou a possibilidade de a Rússia ter manipulado provas e alterado o local do suposto ataque químico. "Este conselho já demorou demais em condenar o governo sírio pelo seu reinado de terror químico e em exigir que os responsáveis por esses atos hediondos sejam punidos", afirmou.
O governo norte-americano ameaçou, no domingo, impor novas sanções contra a Rússia por seu apoio a Assad. Já Moscou afirma que os países ocidentais foram precipitados em culpar a Síria pelo ataque antes que a Opaq faça uma análise do local.
A cidade de Douma fica dentro de Ghouta Oriental, região próxima à capital, Damasco, que estava sob controle rebelde até o governo sírio iniciar uma ofensiva para retomar o local, em fevereiro. Os bombardeios foram bem-sucedidos, e as tropas leais a Assad conseguiram recuperar a maior parte do território - assim, o ataque químico teria sido usado para acabar exatamente com os últimos focos rebeldes na cidade. 
 

Ataque foi feito porque era o correto, e não por pressão de Trump, diz May

Premiê alega que houve amplo apoio internacional para o bombardeio

Premiê alega que houve amplo apoio internacional para o bombardeio


BEN STANSALL/AFP/JC
A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse ontem ao Parlamento que autorizou o ataque contra a Síria porque a decisão era moral e legalmente correta, e não como resultado de pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Não fizemos isso porque o presidente Trump nos pediu, nós fizemos porque acreditamos que era a coisa certa a fazer, e não estamos sozinhos. Há amplo apoio internacional para a ação que tomamos", argumentou ela, que enfrentou pressão dos parlamentares, em especial, da oposição.
Os deputados criticaram o fato de May não ter pedido o apoio do Parlamento para o bombardeio. Segundo ela, teria sido impossível levar a questão à Câmara dos Comuns porque ela estava em recesso e parte das informações que basearam a ação eram confidenciais. "Sempre deixamos claro que o governo tem o direito de agir rapidamente para garantir o interesse nacional", afirmou.
As declarações de May foram uma resposta às declarações do líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, que disse que o ataque era legalmente questionável e que a primeira-ministra tinha seguido as orientações de Trump. 
"Nós não podemos permitir que o uso de armas químicas se torne algo normal, seja na Síria, nas ruas do Reino Unido ou em outro lugar", disse a premiê ao Parlamento, ligando o ataque ao caso do ex-espião russo Serguei Skripal, envenenado em 4 de março na cidade britânica de Salisbury.
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