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Porto Alegre, terça-feira, 24 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

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Educação

Notícia da edição impressa de 25/04/2018. Alterada em 24/04 às 21h51min

Pesquisa avalia impacto da violência nas escolas

Pesquisadora Miriam Abramovay se surpreendeu com vontade de estudantes de morar fora

Pesquisadora Miriam Abramovay se surpreendeu com vontade de estudantes de morar fora


LUIZA PRADO/JC
Suzy Scarton
Pesquisadores e professores da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) acompanharam, por dois anos, um grupo de cerca de 670 estudantes do Ensino Médio de 25 escolas de Porto Alegre. O monitoramento faz parte da pesquisa do programa "O Papel da Educação para Jovens Afetados pela Violência e Outros Riscos", que contou, também, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e cujos dados foram apresentados ontem. A intenção foi avaliar a percepção dos alunos quando imersos em um ambiente violento - seja familiar, escolar ou na comunidade - e entender melhor a relação entre fatores de risco - como a condição socioeconômica e a exclusão escolar. 
No total, foram aplicados 1,2 mil questionários a alunos do 1º e do 2º anos, em 2016 e 2017. Entre os resultados, constatou-se que 42% dos estudantes já sofreram algum tipo de agressão na escola, como roubos e furtos (14%), brigas e agressão física (14%), e xingamentos (13%), ou fez uso de drogas ilícitas (11%) e de bebidas alcoólicas (9%). O entorno das escolas também é considerado um lugar de risco, visto que 86% declararam haver violência decorrente de assaltos (16%), roubos ou furtos (14%), uso de drogas ilícitas (9%) e brigas ou agressão física (8%).
Além disso, 79% dos estudantes ouvidos declararam já ter sofrido algum tipo de discriminação - por raça ou cor (12%), gênero (10%), orientação sexual (9%), religião (11%), classe social (10%), preferência política (8%), roupa ou aparência (17%), ou devido ao lugar onde moram (11%). A questão da discriminação, inclusive, foi salientada durante a pesquisa quantitativa, quando alunos negros declararam, por exemplo, ter sido parados por policiais, enquanto os brancos passavam ilesos, ou ter ouvido perguntas preconceituosas durante entrevistas de emprego.
Mesmo enfrentando dificuldades, esses jovens têm expectativas quanto ao futuro. Muitos desejam ingressar em uma faculdade, ter uma profissão, formar família, ter condições financeiras de cuidar dos pais, e, pela primeira vez, a opção de morar fora do Brasil aparece entre as aspirações. "Eles têm expectativas, e expectativas altas. É importante que sonhem e que sonhem grande", afirma a coordenadora do estudo e da Área de Juventude e Políticas Públicas da Flacso, Miriam Abramovay.
O programa, que foi desenvolvido a partir da análise dos primeiros questionários em quatro escolas - Raul Pilla, Piratini, Balzatar de Oliveira Garcia e Rafaela Remião -, proporcionou uma participação maior dos alunos e dos professores. Nessa etapa, os estudantes puderam dar depoimentos com maior riqueza de detalhes. A partir dessa participação, foi possível elaborar e implantar planos de ação a fim de melhorar o clima escolar e reduzir a violência identificada.
O último levantamento do Programa Cipave (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar), de dezembro de 2017, demonstra que o índice de violência nas escolas da rede pública do Estado vem diminuindo gradativamente. No segundo semestre de 2016, foram 55.570 casos de violência, contra 40.607 no mesmo período do ano passado - uma redução de 27,2% nas 1.796 escolas pesquisadas. Houve queda nos índices de indisciplina (-30,8%), bullying (-27%), uso ou tráfico de drogas (-39,2%) e racismo, preconceito e intolerância (-32%).
 
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