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Porto Alegre, quarta-feira, 18 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 18/04/2018. Alterada em 18/04 às 15h34min

Rio Grande do Sul tem o maior número de mortes por câncer

Em 516 dos 5.570 municípios brasileiros, o câncer já é a principal causa de morte

Em 516 dos 5.570 municípios brasileiros, o câncer já é a principal causa de morte


CECILIA BASTOS/USP/FOTOS P/DIVULGAÇÃO/JC
Suzy Scarton
Já se sabe que o envelhecimento da população, apesar de indicar um aumento na expectativa de vida, vem acompanhado de problemas de saúde. Antigamente, gerações inteiras eram dizimadas por doenças infecciosas, como a tuberculose, por exemplo. Agora, no entanto, as doenças que mais contribuem para o aumento dos índices de mortalidade são as doenças crônicas não transmissíveis, como, por exemplo, o câncer.
Um levantamento do Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), constatou que, em 516 dos 5.570 municípios brasileiros, o câncer já é a principal causa de morte. Se o ritmo de aumento das neoplasias for mantido, em pouco mais de uma década, elas serão responsáveis pela maioria dos óbitos no Brasil.
O último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em 2010, o Brasil tinha 14.081.477 de idosos (acima de 65 anos), equivalente a 7,3% da população total, de 190.755.799 habitantes. No Rio Grande do Sul, eram 994.613, ou seja, 9,3% da população total, de 10.693.929 habitantes. Esse número, obviamente, sofreu alterações, visto que o Censo foi coletado em 2010. No entanto, mesmo que o número exato esteja desatualizado, a grande quantidade de idosos no Estado pode explicar o motivo pelo qual 140 dos 497 municípios gaúchos têm o câncer como primeira causa de morte. Caxias do Sul, inclusive, é a cidade brasileira em que a doença é a responsável pelo maior número de mortes não violentas. 
Enquanto no País as mortes por câncer representam 16,6% do total de óbitos, no Rio Grande do Sul, o índice chega a 33,6%, segundo o levantamento. De fato, as doenças crônicas não transmissíveis são as mais comuns no Estado - o câncer é a segunda maior causa de morte, com uma taxa de incidência que aumenta 8% ao ano. A estimativa é de que haja 54 mil novos casos neste ano em território gaúcho, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. Os tipos mais frequentes são as neoplasias de mama, de próstata, de colo de útero, de pulmão e gastrointestinais (estômago e intestino).
Existem, no Rio Grande do Sul, 28 unidades consideradas de alta complexidade em oncologia, responsáveis pelo atendimento de todos os pacientes com suspeita ou com diagnóstico de câncer. "Também são responsáveis pelo tratamento (tanto cirúrgico quanto aplicação de quimioterapia e radioterapia), pela prevenção, pela educação continuada e pela reabilitação. A maioria dos pacientes faz o primeiro atendimento na atenção primária, nos postos de saúde", explica a oncologista Scheila Ferreira, da Secretaria Estadual de Saúde. Os pacientes com suspeita de câncer são cadastrados nos departamentos de regulação estadual ou municipal, dependendo da localidade, e as informações são avaliadas por um oncologista, que priorizará casos mais graves para atendimento mais rápido.
Há, ainda, uma unidade que pleiteia o reconhecimento como de alta complexidade, e mais cinco cujas solicitações passam por análise junto ao Ministério da Saúde. O Rio Grande do Sul também deve receber, ainda neste ano, mais dois aparelhos de radioterapia. "Nossa intenção é descentralizar e ampliar a oferta", resume a oncologista.
Todos os municípios gaúchos possuem uma unidade de referência pactuada - ou seja, já está definido para onde os pacientes serão encaminhados caso não haja uma unidade de alta complexidade na cidade exata do paciente. Em média, 80% dos pacientes recebem o primeiro atendimento em um período inferior a 60 dias, conforme estabelecido por lei.
"É importante ter cuidados de atenção primária - evitar o fumo, o consumo de álcool, o sedentarismo, os alimentos industrializados, e priorizar hábitos saudáveis e o consumo de verduras e de frutas", aponta Scheila. Ela ressalta, também, a importância da realização periódica de exames, como a mamografia, o exame de próstata e a colonoscopia.

Deysi Leana Bottin Piovesan, secretária de Saúde de Caxias do Sul

"A neoplasia é, sim, a maior causa de óbitos entre os óbitos gerais. É a doença do envelhecimento - quanto maior a expectativa de vida da população, espera-se que as mortes aumentem. Além da idade, também podemos relacionar fatores genéticos. Não sabemos definir o quanto isso incide, mas sabemos que é um dos fatores determinantes do câncer, bem como fatores comportamentais, e hábitos de vida no centro urbano. No entanto, temos uma boa rede de assistência na questão de neoplasia. Não temos lista de espera - estabelecido o diagnóstico, o paciente não aguarda para começar a receber o tratamento em um dos dois hospitais habilitados para isso, Geral e Pompeia. Além disso, fazemos campanhas de prevenção constantemente. É nosso papel principal. Mas, claro, mudanças comportamentais são muito difíceis, e também enfrentamos um corte de recursos do Ministério da Saúde, o que afeta o Sistema Único de Saúde."

Diogo Siqueira, secretário de Saúde de Bento Gonçalves

"Não nos surpreende (o estudo). O câncer é uma doença que geralmente vai afetar idosos, e temos uma longevidade muito grande na cidade. Temos a questão genética também, e um grande número de trabalhadores rurais, que ficam expostos ao sol o dia inteiro. Estamos tentando aumentar os testes rápidos para diagnosticar o câncer com maior rapidez. Nossa referência para o câncer é o Hospital Tacchini, e, hoje, estamos com uma capacidade interessante, conseguimos fazer exames dentro do prazo e encaminhar os pacientes rapidamente. A lista de espera está estabilizada, e temos conseguido priorizar o paciente com suspeita de câncer. O diagnóstico tem sido feito na atenção básica, e, depois, os pacientes são encaminhados para um especialista. Quando precisamos de algo muito específico, recorremos a Porto Alegre. O que tem sido identificado como um problema é o atraso no repasse de medicamentos, cuja responsabilidade é do Estado. Temos um grande número de judicializações."
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