Sobre o Autor
Aurélia Adriana de Melo, professora da Unisinos Foto: /Arquivo Pessoal/Divulgação/JC

Aurélia Adriana de Melo

professora de Empreendedorismo e Inovação da Unisinos

Negócios de impacto social no Brasil

Pesquisa realizada em 2017 pela Pipe.Social, plataforma que conecta empreendedores sociais a investidores, resultou no primeiro mapa de negócios de impacto social do Brasil. Neste levantamento, foram mapeados 579 negócios de impacto social e/ou ambiental nas cinco regiões brasileiras. Destes, 20% estão na Região Sul. No Rio Grande do Sul, que somou 45 negócios aos resultados da pesquisa, eles estão distribuídos em áreas como educação - setor que abriga a maior parte dos negócios de impacto social no Brasil -, saúde, finanças sociais, habitação, cidadania e tecnologias verdes.
Os Negócios de Impacto Social (NIS) compõem um novo segmento da economia que demanda olhar específico. Surgem com a missão explícita e deliberada de transformar positivamente uma realidade social ou ambiental. Para tanto, devem ser sustentáveis do ponto de vista financeiro.
Assim, o desafio colocado aos empreendedores sociais é conciliar geração de valor econômico mais geração de valor social, sendo esse último o principal norteador de todas as decisões tomadas em relação ao negócio. Isso significa que tais decisões devem garantir o compromisso com a mudança intencional e positiva que o negócio social propõe realizar em uma comunidade, território ou população.
Para quem pretende empreender na área, o recado é claro: há de se ter criatividade no desenho de modelos de negócios e uma atenção desde o início à definição clara da mudança a ser feita e dos indicadores de impacto. É justamente o tamanho deste desafio que tem chamado a atenção de jovens empreendedores e provocado o crescimento gradativo do campo de negócios de impacto social no País. Isto foi o que mostrou o relatório da pesquisa GEM, especial sobre empreendedorismo social, realizada em 2015 em 58 países, numa amostra de 167.793 adultos, situados na faixa etária entre 18 a 64 anos. Os resultados da pesquisa revelam que, em países da América Latina e Caribe, considerando apenas o grupo de empreendedores, 34% dos que atuam em negócios sociais que estão na fase operacional têm idade entre 18 e 34 anos. Já atuando em startups, esta parcela sobe para 42%.
O campo é promissor, porém muito esforço no sentido de fomentar esses negócios ainda precisa ser feito. Conforme a GEM, a taxa de empreendedorismo social em estágio nascente (startups) do Brasil é de 0,2%, sendo esta a menor taxa entre os países da América Latina e Caribe considerados no levantamento. Nesse grupo, o Chile assume a primeira posição com uma taxa de 5,8%.
 
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