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Porto Alegre, quarta-feira, 07 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Edição impressa de 20/04/2018. Alterada em 07/11 às 09h28min

Rio Grande aguarda a retomada de estaleiro

Silveira participa desde o início das operações no complexo naval

Silveira participa desde o início das operações no complexo naval


FOTOS MARCELO G. RIBEIRO/JC
Bruna Oliveira, de Rio Grande
"Onde todo mundo vê sucata, nós vemos o futuro." A frase em letras garrafais pintada em muro de um ferro-velho na entrada de Rio Grande dá uma pista do cenário que a cidade do Sul do Estado vive desde que o polo naval estabelecido na região passou a minguar. Passados os tempos áureos de construção de plataformas de petróleo e de cascos de navios - que foram até 2013 - o Estaleiro Rio Grande viu seu corpo de funcionários diretos e terceirizados cair de 15 mil, no ápice da operação, para os atuais 120 colaboradores.
Enquanto a Ecovix, dona do estaleiro considerado o maior do Hemisfério Sul, aguarda decisão da Justiça estadual sobre a realização da assembleia dos credores que avaliará o plano de recuperação judicial, novas expectativas se criam com a possibilidade de uma reformulação do local. Outra frente se encarrega de pedir ajuda ao governo gaúcho. Na semana que vem, uma comitiva de dirigentes e políticos locais deve partir para uma reunião em Porto Alegre para agenda pretendida com o governador José Ivo Sartori, em mais um pedido de socorro pela economia da região.
A expectativa é otimista em caso de retomada do estaleiro, que representaria, de início, uma criação de 600 empregos diretos. A intenção da Ecovix é readaptar a estrutura já existente para atividades além da construção naval, como um projeto de terminal portuário que ajudaria a escoar a produção. São 1.057.000 metros quadrados de área total no estaleiro e um calado maior que o do porto do Rio Grande.
"Seria um terminal bastante competitivo, com capacidade para operar três navios ao mesmo tempo, além de toda estrutura para transporte de granéis sólidos e carga em geral", detalhou Ricardo Ávila, diretor de operações da empresa, durante visita ao estaleiro nessa quinta-feira. A execução do projeto, embora avançada, ainda dependeria de uma série de regulamentações junto a órgãos competentes, que seguem emperradas devido ao atraso no plano de recuperação, esclarece Christiano Morales, diretor executivo da Ecovix.
Enquanto segue indefinida a situação financeira da empresa - dia 26 terá uma reunião decisiva sobre a continuidade ou não da assembleia de credores -, o clima em Rio Grande é de espera por novidades. Na "Noiva do Mar", como é conhecida a cidade, é como se fosse vivido um luto pelo que se perdeu em termos de emprego e de receitas desde dezembro de 2016, quando os trabalhos no estaleiro foram interrompidos e 3,2 mil funcionários mandados embora.

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Desde as demissões, grande parte do estaleiro se transformou em uma verdadeira cidade fantasma. Instalações inteiras estão inativas, e a maior preocupação é quanto à deterioração dos materiais e equipamentos, que pela proximidade do mar ficam expostos à maresia e à consequente corrosão. São cerca de US$ 1 bilhão em ativos que correm risco de virar sucata. Parte do casco da plataforma P-71, encomenda que a Petrobras desistiu de finalizar no polo gaúcho, segue no dique seco. Um dos grandes desafios é evitar que a construção seja descartada. A empresa cogita finalizar o equipamento e vender até para outra petroleira. Tem ainda a P-72 que se destinava à estatal, mas que hoje virou sucata já vendida para ser processada pela siderúrgica Gerdau. As duas juntas somam mais de 60 mil toneladas de aço.
No estaleiro Rio Grande, a situação é crítica. Dos 10 mil trabalhadores que a Ecovix chegou a manter, hoje são somente 64 que seguem empregados. Outros 56 se somam ao número, mas contratados pela EMS, que faz a desmontagem do que sobrou no estaleiro. Leandro da Silveira, o "Tainha", é figura emblemática entre os trabalhadores "sobreviventes", muito por ter participado desde o início das operações no Rio Grande. "É uma tristeza. Participei da montagem de cada peça e agora tudo está sendo cortado." Ele lembra que muitos dos ex-colegas eram de outras regiões do País e agora "se viram como dá", desempregados ou tentando realocação na construção civil e nos serviços.
A crise se estende para além do polo naval e afeta, indiretamente, outros setores da economia. Amanda Magalhães, recepcionista da rede de hotéis Swan, comenta que grande parte da demanda hoteleira reduziu. "Chegávamos a ter apenas três quartos ocupados", conta a recepcionista, "sem falar que todos os dias recebemos muitos currículos, ninguém tem emprego". Adriane Dutra, assistente administrativa da mesma rede, é funcionária desde a construção do hotel, em 2012, erguido visando atender ao grande boom do polo naval. "É triste de ver", comenta Adriane, citando outra unidade da rede, erguida em São José do Norte, que nem chegou a ser mobiliado. "Virou um elefante branco", define a funcionária.
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Comentários
Luciano Loposzinski 20/04/2018 17h03min
Vejam o estrago que um governo corrupto pode causar. Milhares de vidas afetadas, a economia inteira de uma grande cidade, U$ 1 Bilhão apodrecendo a céu aberto, o resto já virou sucata. Urna não é penico, gente. Sejamos conscientes nessa eleição.
GENESIO PEDRO BONDAN 20/04/2018 16h10min
é uma pena o porto de rio grande ser sucateado, aonde esta o governo que prometeu mudar o brasil? é uma grande injustiça que fizeram e estão fazendo