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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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Operação Lava Jato

Notícia da edição impressa de 06/03/2018. Alterada em 05/03 às 21h02min

Habeas corpus de Lula será julgado hoje no STJ

Embargos declaratórios contra a condenação de Lula estão no TRF-4

Embargos declaratórios contra a condenação de Lula estão no TRF-4


/NELSON ALMEIDA/AFP/JC
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julga, nesta terça-feira, a partir das 13h, o pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para impedir a prisão após se esgotarem os recursos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que condenou Lula no âmbito da Operação Lava Jato. O julgamento acontece no prédio sede do STJ, em Brasília, na sala de sessões da Quinta Turma. A sessão será transmitida pelo canal do tribunal no YouTube.
Cinco ministros, que compõem a Quinta Turma do STJ, analisarão o mérito do habeas corpus preventivo do ex-presidente. O colegiado é formado pelos ministros Jorge Mussi, Reynaldo Soares, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Felix Fischer - que é o relator do pedido de Lula e dos outros processos da Lava Jato que chegam ao Superior Tribunal de Justiça. A Quinta Turma é responsável pelas matérias de direito penal no STJ, junto da Sexta Turma.
O julgamento do habeas corpus se inicia com a leitura do relatório da ação, elaborado e lido pelo ministro Felix Fischer. Em seguida, o representante da Procuradoria-Geral da República (PGR) terá 15 minutos para apresentar os argumentos do órgão, que é contrário ao pedido de Lula. Quem fará a sustentação é o subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Vieira Sanseverino - que normalmente fala em nome da PGR nos processos relativos à Lava Jato no STJ.
Logo após, o advogado do ex-presidente terá 15 minutos para fazer a defesa do pedido do Lula. Quem fará a sustentação oral é o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e advogado criminalista Sepúlveda Pertence. Ele passou a integrar a equipe de defesa do petista no início de fevereiro.
Em seguida, o relator do caso, ministro Fischer, apresenta o seu voto. Depois, os votos são proferidos na ordem do ministro mais antigo do colegiado para o mais novo: Jorge Mussi, Reynaldo Soares - presidente da Quinta Turma -, Ribeiro Dantas e Joel Paciornik.
Para conseguir vetar, através do STJ, a execução provisória da pena após esgotados os recursos no TRF-4, Lula precisa de três votos favoráveis ao habeas corpus. Se o pedido for negado, ele pode tentar reverter o resultado no STF. Já há um habeas corpus que espera para ser analisado no mérito pela Corte Suprema. Cabe à presidente do STF, Cármen Lúcia, pautar a ação.
Assim como o habeas corpus no STJ, o pedido liminar para evitar a prisão após condenação pela segunda instância já foi negado no Supremo, pelo ministro Edson Fachin. Caso os ministros do STJ neguem o pedido de Lula, a defesa do ex-presidente também pode entrar com um recurso no STF contra a decisão do STJ, o chamado recurso em habeas corpus.
O ex-presidente foi sentenciado a 9 anos e 6 meses pelo juiz federal Sérgio Moro, que entendeu serem o triplex 164-A, no condomínio Solaris, e suas respectivas reformas propinas de R$ 2,2 milhões da construtora OAS. A condenação foi confirmada pelo TRF-4 e a pena, aumentada pelos desembargadores, para 12 anos e 1 mês. Ao condenar Lula, os desembargadores ainda pediram para que, após esgotado seu último recurso ao TRF-4, a pena de prisão, em regime fechado, seja executada. Estão em análise no TRF-4 os embargos declaratórios interpostos pela defesa de Lula contra a decisão dada no dia 24 de janeiro pelo tribunal. Esse é o último recurso disponível para ex-presidente na segunda instância.
 

MPF pede a prisão do petista após recurso no TRF-4

O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou, ontem, contra o último recurso protocolado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), sediado em Porto Alegre, para rever a condenação a 12 anos e um mês na ação penal envolvendo o apartamento triplex no Guarujá (SP).
Além de pedir a rejeição do recurso, o MPF demandou a prisão de Lula após o julgamento para cumprimento da pena. 
No parecer, o procurador responsável pelo caso se manifestou a favor da defesa de Lula para dar parcial provimento aos embargos de declaração e corrigir somente alguns termos do acórdão, a sentença do colegiado, proferido em janeiro. Apesar de pedir a correção das palavras Grupo OAS, empresa OAS Empreendimentos e funcionamento ou não do Instituto Lula, a Procuradoria entende que as correções não alteram a essência da condenação.
"O acórdão entende haver provas suficientes de que a unidade triplex do Condomínio Solaris estava destinada a Luiz Inácio Lula da Silva como vantagem, apesar de não formalmente transferida, porque sobreveio a Operação Lava Jato e a prisão de empreiteiros envolvidos, entre eles, José Adelmário Pinheiro Filho (conhecido como Léo Pinheiro, ex-executivo da OAS)", sustenta o MPF.
No dia 24 de janeiro, o TRF-4 confirmou a condenação de Lula na ação penal envolvendo o triplex no Guarujá (SP) e aumentou a pena do ex-presidente para 12 anos e um mês de prisão.
Com o placar unânime de três votos, cabem somente os chamados embargos de declaração, tipo de recurso que não tem o poder de reformar a decisão. Dessa forma, se os embargos forem rejeitados, Lula poderia ser preso. A previsão é de que o recurso seja julgado até o final de abril.
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