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Porto Alegre, domingo, 18 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 19/03/2018. Alterada em 18/03 às 21h14min

Protecionismo com visão estratégica

Adão Villaverde
Olhando ao redor, sobretudo às economias e à industrialização nos países centrais, vemos que algumas nações só chegaram ao que chamam de "livre comércio" recorrendo ao protecionismo como instrumento de preservação de sua capacidade e inteligência local e às suas empresas públicas, como papel indutor e mediador do desenvolvimento, articuladas com o setor privado. Basta ver o que fazem Japão, Alemanha, Estados Unidos, Suécia, Coreia do Sul nos últimos 40 anos e outros países. Todos usam medidas protetivas, subsídio estatal, controle sobre investimentos estrangeiros, fiscalização do capital volátil e o apoio às empresas privadas locais, como estratégias de crescimento, desenvolvimento e inserção soberana no processo de mundialização.
No nosso País, em nome de um pseudoliberalismo, condena-se a proteção das empresas locais. O que é falso e, ao mesmo tempo, entreguista, e leva à maior dependência e à mais pura subordinação. E, infelizmente, o Brasil vem apresentando, de forma acelerada, no último período, um processo brutal de desindustrialização, que parece não ter precedentes. Isto deve-se menos às razões conjunturais de nossas crises econômicas cíclicas e muito mais ao modelo perseguido desde a última década do século XX. Ainda que a "era Lula" tenha sido uma tentativa de interrupção deste processo, predominam os conceitos do chamado Consenso de Washington.
O mais triste é que tudo isso tem rebatimento local, no RS. É o que denuncia, por exemplo, o presidente demissionário da extinta Cientec, sobre a renúncia da nossa inteligência e a "desgauchização" do Estado: "isto trará prejuízos às nossas empresas, pois existem serviços que apenas a fundação oferece, como laboratórios credenciados e, em alguns casos, únicos no Brasil". Enquanto aqui acenam com a cantilena do economicismo entreguista tecnocrático do rentismo neoliberal, que só amplia nossa dependência, para tristeza brasileira, os chamados países centrais fazem exatamente o inverso.
Deputado estadual (PT)
 
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