Porto Alegre, sexta-feira, 09 de março de 2018.

Jornal do Comércio

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 09/03/2018. Alterada em 09/03 às 20h38min

Bayer e Monsanto poderão estar unidas na Expodireto de 2019

Abdalah Novaes explica que 14 países ainda não autorizaram o acordo

Abdalah Novaes explica que 14 países ainda não autorizaram o acordo


/MARCO QUINTANA/JC
Presentes com seus estandes quase frente a frente na Expodireto, Bayer e Monsanto divulgam na feira seus lançamentos em sementes e outras tecnologias. Mas as grandes novidades sobre as duas multinacionais se movimenta em outro sentido. Há pouco mais de um mês o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra, com restrições, da norte-americana Monsanto pela alemã Bayer. A fusão das duas empresas, anunciada em setembro de 2016, por US$ 66 bilhões, poderá criar a maior companhia de defensivos e sementes do mundo, e elas poderão já estar unidas na Expodireto 2019.
Para que a fusão seja aprovada no Brasil, porém, o Cade condiciou a aprovação da operação à venda, pela Bayer, de algumas de suas linhas. Ontem, a Basf, que também está na Expointer, divulgou que está em negociação exclusiva para aquisição de todo o negócio de sementes de hortaliças da Bayer, que estaria pretendendo vender o negócio para atender o plano de adquirir a Monsanto. Os acordos finais ainda não foram concluídos e, para que o negócio seja efetivamente finalizado, depende da aprovação da fusão em 30 países. Segundo Abdalah Novaes, diretor de negócios da Bayer para a Região Sul, faltam 14 aprovações para o acordo. Desses, os dois mais importantes são Estados Unidos e União Europeia.
"Até a finalização dos acordos trabalhamos com empresas separadas, somos competidores. Mas a expectativa de aceite do acordo é abril, para União Europeia, e maio, nos Estados Unidos", diz o executivo.
A aquisição da Monsanto é o ápice do avanço da Bayer no bilionário mercado da soja. Vale lembrar que o ingresso da multinacional alemã no mercado de sementes de soja tem apenas cerca de cinco anos. Hoje, o segmento de serviços, defensivos e sementes ligado à cultura da oleaginosa já representa cerca de 30% do faturamento da Bayer no Brasil, diz Abdalah. Para a feira de Não-Me-Toque, a multinacional investiu na apresentação, por exemplo, da CZ 15B92 IPRO, variedade adaptada para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
"Na safra anterior, em uma área comercial restrita para difusão de resultados, atingiu produtividade acima de 105 sacas/hectare, o que comprova o potencial da genética", de acordo com Cassiano Medeiros, gerente de clientes da Bayer.
A poucos passos do estande da Bayer na Expodireto, com igual destaque no interesse dos produtores, a norte-americana Monsanto trouxe o que, de acordo com a empresa, será a terceira revolução da soja transgênica: a Intacta 2 Xtend. "Em 1998 foi a primeira revolução, com RR (Roundup Ready) e, em 2013, com Intacta, que trouxe proteção também contra lagartas", explica André Menezes, gerente de lançamento do produto na América do Sul, destacando que, na Intacta 2 Xtend um dos diferenciais é o controle de plantas daninhas como a buva, que vem preocupando os gaúchos.
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