Porto Alegre, terça-feira, 06 de março de 2018.

Jornal do Comércio

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 06/03/2018. Alterada em 06/03 às 17h21min

Desinteresse crescente pelo milho acabará impactando indústrias de carnes

Kerber diz que é preciso encontrar um substituto para o cereal

Kerber diz que é preciso encontrar um substituto para o cereal


/MARCO QUINTANA/JC
A 10ª edição do Fórum Nacional do Milho, realizada ontem na Expodireto, teve um público bastante reduzido - assim como está o interesse do produtor pelo cultivo do grão. O pequeno público, porém, é inversamente proporcional à importância do assunto. O grão é insumo básico para a criação de aves e suínos, especialmente - um setor que cresce ano a ano em importância no Estado -, e produto de exportação. E o desafio dos palestrantes foi justamente mostrar essa contradição e tentar buscar formas de estimular a cultura ou encontrar algum substituto para o grão como matéria-prima para ração animal.
Em todo o País, de acordo com o último levantamento da Conab, o milho na primeira safra deve render uma produção de 24,74 milhões de toneladas, o que significa volume quase 20% inferior à safra passada, resultado da redução de área e da produtividade. Com isso, ressaltou o presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Kerber, uma das questões em estudo é encontrar o melhor substituto possível para o grão como alimento para os animais. "Precisamos achar um cereal de inverno que possa servir como alternativa para o milho, tanto como ração animal quanto como opção de renda ao produtor", ressaltou Kerber.
A produção cada vez mais escassa, afirmou, vai acabar limitando a competitividade brasileira de aves e suínos, encarecendo o produto tanto no mercado interno como no externo. A queda na produção ocorre com mais força no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e logo terá impacto no mercado de carnes, na opinião de Kerber. "O déficit de milho no País, em 2018, deverá ser de 2,2 milhões de toneladas", destacou o presidente do Fundesa.
Ao economista da Farsul, Antônio da Luz, coube a tarefa de analisar e apresentar dados que revelam as razões da contradição entre o aumento da produção de carne baseada no milho e a redução de área e o desestímulo do produtor. Luz começou destacando que há perspectiva mundial de aumento de demanda na ordem de 226 milhões de toneladas de milho. "É um bom mercado para se investir. Se não fosse, não recomendaria ao produtor seguir na cultura. Dizer que é melhor plantar soja e que, por isso, o agricultor está abandonando o milho é muito simplista", alerta o economista da Farsul, ressaltando que o problema fundamental a ser resolvido é o de custos de produção, especialmente com fertilizantes e defensivos, que melhoram a lavoura mas corroem os lucros.
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