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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 19/03/2018. Alterada em 21/03 às 16h17min

Procura por gestores e executivos no agronegócio cresce 25%

BEN WHITE/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Os bons números do agronegócio no Brasil, o começo da recuperação econômica do País como um todo e a profissionalização de empresas familiares estão aquecendo o mercado de trabalho do setor agropecuário. Especialmente em cargos de diretoria e gerência, de acordo com a Michael Page, empresa de recrutamento e seleção de executivos de média e alta gestão.
A companhia, que tem atuação mundial, registrou alta de 25% na contratação de trabalhadores com perfil técnico e de gestão no segmento no último ano. De acordo com Marcelo Botelho, gerente da Michael Page para o setor Agro, a demanda nacional foi impulsionada principalmente por companhias que buscam expandir seus processos. O movimento é crescente, de acordo com Botelho, deve ter continuidade em 2018 com a profissionalização de grandes grupos e a crescente necessidade de contratar gestores para posições estratégicas. "Serão essas pessoas as responsáveis pela nova fase que essas empresas estão optando, seja para estruturação de processos, ampliação de mercado ou internacionalização da operação", diz Botelho.
Felipe Ribeiro, gerente sênior da Michael Page no Rio Grande do Sul, destaca que o mesmo movimento nacional ocorre também no Estado, até com maior intensidade, devido ao grande número de empresas familiares em processo de expansão e profissionalização. Ribeiro lembra que o começo da retomada da economia brasileira também estimula contratações.
"Empresas que estavam retendo algumas posições ou tinham pessoas acumulando funções começaram a repor vagas. Em alguns casos, a contratação é para cargos e funções que o próprio dono vinha exercendo e que, agora, repassa a um profissional", relata o executivo da Michael Page no Estado. Entre as principais posições demandadas estão algumas bem especializadas, como na área financeira, diz Ribeiro, especialmente nos segmentos de fertilizantes e grãos. Boa parte da procura é por indústrias multinacionais, mas também em grandes e médias empresas familiares. Também aumentou o número de posições comerciais e de cobrança, já que, apesar do crescimento do agro, em alguns setores, cresceu a inadimplência. "Mas tivemos mais seleções também nas áreas de vendas, sempre importante, em vagas na área de tecnologia pela alta mecanização e tecnificação do setor, assim como de profissionais de logística", acrescenta Ribeiro.
Outros profissionais em alta no agronegócio vêm de fora do segmento, como do setor bancário, para atuar no setor de finanças, já que a melhor gestão de recursos é um dos desafios do produtor rural, na chamada "gestão da porteira para dentro".
E cresce, também, a procura por agrônomos para as atividade centrais do negócio e, em alguns casos, para tomar conta das fazendas com mais técnica, diz Ribeiro. "Para 2018, apostamos na continuidade da procura em posições de gerência, controladoria, compliance, gerência de exportações e inovações", acrescenta o representante da Michael Page no Rio Grande do Sul.

Da direita para a esquerda, Adair Candeloni, gerente comercial, Silvio Luiz Vissotto, vice-presidente, Egídio Loregian, presidente, e Gerson Benetti, diretor industrial da Cooperativa Majestade. Foto Cooperativa Majestade/Divulgação/JC

Foi esse aquecimento do mercado ligado ao agronegócio que permitiu, por exemplo, a Adair Candeloni, 46 anos, entrar no segmento e, em menos de um ano depois, até mesmo mudar de empresa.
Formado em Processos Gerenciais, Candeloni atuava, há muitos anos, na área de bebidas, químicos, comércio e confecções. Hoje, se dedica ao setor da agropecuária como gerente comercial da Cooperativa Majestade, de Sananduva. "Entrei no segmento do agronegócio no início de 2017. Estava há oito meses na JBS, mas, com todos os problemas que ocorreram com a empresa (Operação Carne Fraca e denúncias de corrupção), não me senti mais confortável para seguir e comecei a buscar outras oportunidades", conta o gestor.
Em pouco tempo, foi chamado para um processo de seleção e aprovado para a gerência comercial da Cooperativa Majestade, que está em expansão regional e nacional. "Estamos finalizando obras de uma salumeria, o que não existe no Estado, e a cooperativa está investindo na contratação de diferentes profissionais, adquirindo máquinas e renovando embalagens e layouts, em uma grande renovação", comemora Candeloni.

Profissionais em alta

Confira a relação dos cargos mais demandados pelas empresas do agronegócio, de acordo com estudo elaborado pela Michael Page
Gerente de fazenda
  • O que faz: responsável pela gestão direta da fazenda, lidera a equipe técnica de campo e tem forte papel no desenvolvimento das pessoas recentemente tem assumido papel ainda mais estratégico incorporando a gestão financeira e de custos do negócio.
  • Perfil da vaga: deve ter capacidade de conciliar a expertise técnica com a gestão. Preferencialmente formação em Engenharia Agronômica e com cursos de capacitação como MBAs voltados para o agronegócio.
  • Salário: de R$ 10 mil a R$ 25 mil
  • Motivo para alta: as empresas estão mudando a mentalidade e se realinhando com as mudanças de mercado.
Coordenadores Técnicos: Irrigação, Tratos Culturais, Monitoramento de Pragas e Controle da Qualidade
  • O que faz: são considerados a linha de frente do gerente da fazenda nas tratativas diretas com os colaboradores do campo. Cada um é responsável por um aspecto técnico do processo produtivo e trabalham para garantir elevados padrões de produtividade, qualidade e mitigação de riscos.
  • Perfil da vaga: a média liderança no agronegócio deve ter o perfil alinhado com o gerente da fazenda, conciliar perfil técnico com gestão (embora ainda um pouco mais direcionado para o técnico) e capacidade de motivar e capacitar a sua equipe, são transmissores de conhecimento no campo.
  • Salário: de R$ 6 mil a R$ 12 mil
  • Motivo para alta: as empresas estão mudando a mentalidade e se realinhando com as mudanças de mercado.
Controller
  • O que faz: planeja, organiza e desenvolve planos econômico-financeiros, analisa informações contábeis e indicadores de performance para acompanhar as projeções de faturamento do negócio.
  • Perfil da vaga: o profissional deve ter formação em Contabilidade e forte capacidade analítica, capacidade de interação com as outras áreas para entender a composição dos custos também agrega.
  • Salário: de R$ 12 mil a R$ 16 mil
  • Motivo para alta: eficiência de produtividade e acuracidade de informações.
Coordenadores e Gerentes Comerciais
  • O que fazem: responsáveis por garantir a estratégia comercial dos produtos, faz o corpo a corpo com os clientes visando entender o diferencial do seu produto e motivar a equipe interna ou de representantes técnicos de vendas para a difusão do produto.
  • Perfil da vaga: recentemente, tem sido cada vez mais a demanda por formação técnica (Engenharia Agronômica, Zootecnia, Veterinária) pela capacidade de falar a mesma língua do cliente, alto perfil relacional e capacidade de traçar estratégias, fluência em idiomas estrangeiros tem aumentado devido ao crescimento da exportação.
  • Salário: de R$ 7 mil a R$ 12 mil variável
  • Motivo para alta: necessidade de expansão do negócio, destaque para o crescimento na exportação e necessidade de fazer o produto chegar em novos mercados.
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Comentários
Francisco Berta Canibal 19/03/2018 06h14min
Percebe-se, que algo esta errado diante da necessidade de profissionais, e a realidade do agronegócio. Porém para o Estado do Rio Grande do Sul, principalmente se tem valores históricos e procedimentos, entre as duas Metades, e que a "sabedoria", dita a prática tradicional nos campos , não comporta ainda dados desta reportagem. A crise que está aí diz tudo, temos hoje o inicio de uma concentração de terras nas mãos de poucos, estes sim poerão seguir profissi