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Porto Alegre, domingo, 25 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 26/02/2018. Alterada em 25/02 às 19h42min

Combater crime: necessidade psicossocial

Montserrat Martins
Parece óbvia a frase-título, mas, no Brasil, não é. "Repressão", aqui, é palavrão, sinônimo de ditadura - como se fosse possível uma sociedade democrática não ter órgãos de repressão ao crime. A intervenção federal no Rio de Janeiro está em sintonia com o sentimento popular, mas há os "especialistas" com teses nas quais rejeitam a medida.
Minha experiência profissional me diz o oposto de tais especialistas. Sou psiquiatra há 35 anos e, nos últimos 20, atendi centenas de jovens infratores, aprendi algumas coisas com eles que é hora de compartilhar. Para começar, ao contrário dos que muitas pessoas acreditam, a fome não é a motivação mais comum para o crime, mas a necessidade de status, de se sentir importante, de ter autoestima.
Aprendi ouvindo os infratores que eles desejavam, na maioria das vezes, realizar sonhos de consumo dirigindo automóveis e se sentir "importantes" para as garotas, passando de carro na frente delas para impressionar. Muitas vezes, fazem isso "chapados", porque a droga, além de um prazer físico em si, viciante, também lhes tira a autocrítica e dá coragem para roubar.
Ao ouvir livremente esses jovens - a maioria dos quais já em torno dos 18 anos -, o que ouço, quase sempre, é que entraram "no mundo do crime para conseguir as coisas mais rápido, mais fácil", sabendo que a vida de trabalhador de salário-mínimo não lhes daria perspectivas imediatas. Quando privados de liberdade, costumam se arrepender pelos sofrimentos que causam a suas famílias.
Não existem soluções mágicas, é ilusório que a liberação das drogas faria os traficantes se legalizarem, ou perderem seu poder - basta ver o difícil combate à pirataria. São necessários programas sociais sérios, educação, emprego - que não geram resultados imediatos, nem dispensam a necessidade de combate ao crime.
Mera repressão, sem programas sociais inclusivos, é uma ilusão autoritária e ineficaz, mas só reformas sociais também é solução ilusória. A sociedade necessita reprimir delitos. São necessidades básicas tanto a promoção humana quanto a imposição de limites.
Médico Psiquiatra Judiciário, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais
 
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