Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

COMENTAR | CORRIGIR

Estados Unidos

Notícia da edição impressa de 22/02/2018. Alterada em 21/02 às 20h58min

Sob pressão, Trump pede regras para impedir armas 'turbinadas'

Sobrevivente, Emma se tornou ícone na luta por uma política antiarmas

Sobrevivente, Emma se tornou ícone na luta por uma política antiarmas


/RHONA WISE/AFP/JC
Em meio a apelos por um maior controle de armas nos EUA após o ataque a tiros que deixou 17 mortos em uma escola da Flórida, o presidente Donald Trump decidiu pedir a criação de regras para proibir a venda de dispositivos que "turbinam" armas comuns. Esses equipamentos, chamados de "bump stocks", foram usados pelo atirador de Las Vegas, que matou 58 pessoas no maior massacre a tiros da história dos EUA, em outubro passado. O dispositivo permite o disparo mais rápido de balas, emulando um artefato automático.
Nenhum "bump stock", porém, foi usado no massacre da Flórida, em que um adolescente de 19 anos invadiu a escola com um rifle semiautomático AR-15, comprado de forma legal. Ainda assim, Trump afirmou que está tomando medidas "que funcionam de verdade" e que não se limitam a "clichês do passado".
A iniciativa foi anunciada no rastro de uma pesquisa nacional, a qual apontou que mais da metade dos norte-americanos (58%) acredita que o massacre no colégio poderia ter sido evitado com maior controle de armas - ecoando os apelos diários desde então de centenas de alunos e sobreviventes.
Trump afirmou ter pedido uma análise sobre a legalidade dos "bump stocks" ao Departamento de Justiça ainda no ano passado. Na terça-feira, por meio de um memorando, ordenou ao secretário de Justiça, Jeff Sessions, que proponha regulações para banir o uso dos dispositivos. As novas regras devem ficar prontas "muito em breve", segundo o presidente.
Apesar desse alarde em relação aos turbinadores, o republicano não mencionou a possibilidade de aumentar a idade mínima para a compra de rifles semiautomáticos, como pedem alguns manifestantes, nem detalhou como tornaria mais rígida a checagem de antecedentes de potenciais compradores - ação à qual se mostrou favorável na véspera.
Na terça-feira, estudantes de Ensino Médio de Parkland, onde ocorreu o massacre, viajaram à capital da Flórida, Tallahassee, para pressionar a Assembleia Legislativa a aprovar leis que restrinjam a venda de armas de fogo. Emma Gonzales, estudante da Marjory Soneman Douglas High School, estava no auditório da escola e pensou que o barulho dos tiros fosse de alguma reforma até os responsáveis mandarem todos correrem. Emma tem feito os discursos e está sendo saudada como ícone e líder na luta pelo controle de armas.
Os estudantes também planejam uma outra manifestação, desta vez em Washington, para o dia 24 de março, e que é chamada de "Marcha por Nossas Vidas". Celebridades como Justin Bieber, Lady Gaga e Cher têm demonstrado apoio. O ator George Clooney e sua esposa, Amal, anunciaram que, em nome de seus filhos gêmeos, vão doar US$ 500 mil à marcha e que caminharão ao lado dos estudantes.
 

Controle sobre armamentos é alvo de grande divisão no país, mostra pesquisa

Nos Estados Unidos, a posse de armas é garantida pela Segunda Emenda da Constituição. No entanto, pouco menos da metade dos norte-americanos possui uma arma em casa, segundo pesquisas dos institutos Gallup e Pew Research Center de 2017. A maioria diz ter comprado o armamento para proteção pessoal, enquanto outros a usam para caça, e um terço como esporte.
Um levantamento feito nos dias seguintes ao massacre na Flórida demonstrou um pequeno aumento no número de norte-americanos que consideram que o controle mais estrito de armas pode impedir grandes ataques a tiros: o percentual passou de 23%, em 2015, para 28% neste ano. Mas a maioria dos entrevistados afirma que questões de saúde mental são a principal causa dos massacres: 57%. E 42% deles defendem que os professores carreguem armas para responder a incidentes nas salas de aula.
A opinião do público sobre armas semiautomáticas, como a que foi usada na escola, também não parece ter sido afetada pelos sucessivos massacres. Apenas 50% defendem o banimento desse tipo de armamento no país - em 1994, esse percentual era de 80%.
Para a pesquisa - feita pelo jornal The Washington Post e pela rede NBC News -, foram entrevistados 808 adultos entre 15 e 18 de fevereiro - o massacre na Flórida ocorreu no dia 14. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia