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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 15/02/2018. Alterada em 14/02 às 22h27min

Futuro do Beneficência será conhecido em maio

Segundo Torelly, estudo indicará possibilidade de manter local aberto

Segundo Torelly, estudo indicará possibilidade de manter local aberto


/LUIZA PRADO/JC
Isabella Sander
Ainda não é possível saber se o Hospital Beneficência Portuguesa conseguirá se reerguer de sua atual dificuldade financeira, mas, se houver alguma possibilidade, será conhecida na metade de maio. Iniciada ontem, uma consultoria sobre a realidade e as possibilidades de superação da crise por parte da instituição terá duração de três meses. O estudo será feito pelo Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, e financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do Ministério da Saúde.
Com 160 anos de existência, o Beneficência contabiliza uma dívida de cerca de R$ 70 milhões, entre saldos trabalhistas, com fornecedores e bancos, e outras pendências. Mesmo assim, se mantém com aproximadamente 140 funcionários em atividade, que estão com seus salários atrasados em quatro a cinco meses - receberam apenas vales de R$ 500,00 em dezembro e outros R$ 500,00 em janeiro. A folha de pagamento gira em torno de R$ 370 mil mensais. Hoje, somente três pacientes seguem internados no estabelecimento. Uma campanha capitaneada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) chama atenção para a importância do local para a saúde gaúcha.
Atualmente diretor executivo do Sírio Libanês, Fernando Torelly atuou na gestão de hospitais como Moinhos de Vento, Mãe de Deus e Clínicas de Porto Alegre durante 30 anos, e acredita que essa expertise sobre a realidade da saúde gaúcha facilitará a realização da consultoria. Explica que a instituição paulista é filantrópica e utiliza sua isenção fiscal em melhorias no SUS, entre elas, projetos de consultoria em estabelecimentos que se dedicam à saúde pública.
"O nosso objetivo é fazer um trabalho totalmente técnico, que avalie o nível de endividamento e quais as possibilidades de manter o Beneficência aberto", relata Torelly. O relatório com os resultados será apresentado aos secretários municipal, Erno Harzheim, e estadual de Saúde, João Gabbardo. O diretor executivo do Sírio Libanês evita fazer projeções, mas garante que a equipe técnica do hospital conhece a realidade do SUS, uma vez que gerencia 510 leitos públicos em São Paulo.
Gabbardo considera a recuperação do Beneficência um grande desafio. "É um trabalho difícil, no qual precisamos de união e criatividade. A realização da consultoria é fundamental e mostra um interesse da União em manter aberto esse hospital", observa. Recorda que o Sírio Libanês já realizou o mesmo tipo de estudo no Hospital Regional de Santa Maria, que se tornará 100% SUS.
O presidente do Beneficência, Augusto Veit, revela que o hospital se encontra em uma luta diária. "Temos uma cozinha interditada e estamos tentando resolver esse problema para, então, poder ampliar o atendimento e melhorar nossa condição financeira", conta. Diante das dívidas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) interrompeu o contrato com o estabelecimento há mais de três meses, o que tornou ainda mais difícil a chance de reerguer a instituição. Veit espera obter convênios com planos de saúde, para aumentar seu fluxo de caixa.
Além da consultoria, uma auditoria sobre as contas e a administração do hospital está sendo realizada pelo Banrisul. O trabalho foi iniciado em meados de dezembro e também tem previsão de conclusão em três meses, ou seja, no final de março. "Esperamos receber o resultado para dar encaminhamento a uma série de questões, inclusive relativas à consultoria", informa o presidente do Beneficência.
 

Abertura de leitos psiquiátricos depende de terceirização

Mesmo com repasse garantido pelo governo do Estado, a abertura de 30 leitos psiquiátricos no Beneficência, que permitiria algum alívio nas contas do hospital, depende da terceirização do serviço. Segundo o secretário estadual de Saúde, a prefeitura não poderia contratar as vagas diretamente com o estabelecimento, pois o recurso seria automaticamente bloqueado para o pagamento da dívida junto ao município. Seria necessário, portanto, que outra instituição, com um CNPJ diferente e que não tenha dívida com a prefeitura, locasse total ou parcialmente o Beneficência para contratar o serviço.
Além da contratualização dos 30 leitos psiquiátricos, a instituição que locasse o espaço precisaria fazer investimentos para que fosse liberado pela Vigilância Sanitária. "Há muita coisa não resolvida, e isso tem que ser levado em consideração, além da dívida. É preciso uma instituição que queira investir nessa área", pontua Gabbardo, acrescentando que se trata de um hospital "muito bem localizado, que poderia oferecer atendimento por SUS ou convênio".
O aporte de recursos em leitos psiquiátricos se deve à falta do serviço em Porto Alegre. "Muitos pacientes que estão internados na emergência de saúde mental do posto da Vila dos Comerciários poderiam ser encaminhados para essas vagas, e o pronto-atendimento ficaria liberado", avalia o secretário estadual.
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