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Indústria

28/02/2018 - 22h55min. Alterada em 28/02 às 22h32min

Metalúrgicas retomam crescimento em Caxias da Sul

Resultados iniciais de 2018 devem favorecer os investimentos e contratações de funcionários no setor

Resultados iniciais de 2018 devem favorecer os investimentos e contratações de funcionários no setor


/FREDY VIEIRA/JC
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul
Após uma sequência de três anos de queda no faturamento e no quadro de funcionários, as indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Caxias do Sul deram uma respirada em 2017. No período de 2014 a 2016, o setor acumulou perdas de 53% na receita, que caiu para R$ 11,2 bilhões, ficando abaixo do valor faturado em 2000. No mesmo período foram fechados em torno de 17 mil postos de trabalho, recuo de 50 mil para 33 mil.
Após uma sequência de três anos de queda no faturamento e no quadro de funcionários, as indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Caxias do Sul deram uma respirada em 2017. No período de 2014 a 2016, o setor acumulou perdas de 53% na receita, que caiu para R$ 11,2 bilhões, ficando abaixo do valor faturado em 2000. No mesmo período foram fechados em torno de 17 mil postos de trabalho, recuo de 50 mil para 33 mil.
O alento, ainda que timidamente, voltou no ano passado, com a recuperação da receita em quase 9%, para R$ 12,2 bilhões. O número de empregos praticamente não se alterou. Houve tão somente o registro positivo de 61 novas vagas. Em janeiro deste ano, o setor empregava, em Caxias do Sul, 33.071 trabalhadores. Em relação a janeiro de 2012 são 20,3 mil vagas a menos.
De acordo com Reomar Slaviero, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs), a reação no ano passado deu-se no último trimestre, com destaque para novembro, mês de desempenho excepcional. Mesmo assim, o faturamento na ordem de R$ 12,2 bilhões ficou abaixo de 2000, de R$ 12,7 bilhões.
Para 2018, o presidente da entidade preferiu a cautela e não projetou indicadores, mas reconheceu que o ano começou com atividade aquecida. "Estamos otimistas, mas não eufóricos. Acreditamos na retomada e esperamos que seja como o voo de pássaros selvagens, alto e longo, e não como o de galinhas", comparou.
Slaviero destaca que os empresários têm emitido sinais de que pretendem voltar a investir e contratar funcionários, mas de forma cautelosa. "A crise de 2014 a 2016 deixou muitas feridas, ainda não plenamente curadas, no empresariado. As receitas de 2010 a 2013 foram fictícias, mas os empresários contrataram e investiram. O tombo foi grande e dolorido, o que levou várias organizações a buscar amparo na recuperação judicial. Creio que mais algumas ainda terão de fazer uso do expediente", assinalou.
O presidente do Simecs não acredita que, no curto prazo, a atividade venha a operar com receitas como as do período de 2010 a 2013, que na média foram de R$ 24 bilhões. Para ele, é mais provável que os números oscilem na casa de R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões, registrados nos anos anteriores à crise de 2009. O mesmo vale para os empregos. "Não vamos recuperar os postos perdidos desde 2011. Até porque as indústrias estão buscando alternativas para aumentar a competitividade, o que exige investimentos em automação. Os empregos fechados na indústria metalúrgica terão de ser abertas em outros segmentos", afirmou.

Empresas migram de segmento para garantir sobrevivência em tempos de crise

As indústrias ligadas à câmara metalmecânica foram as que mais influenciaram no resultado positivo do setor como um todo, com alta de 13,45% e respondendo por 21% do total em 2017. O índice de participação representa incremento de nove pontos na comparação com o de 2011, de 12%. Na avaliação de Rogério Gava, assessor de planejamento do Simecs, houve uma migração de empresas de outras câmaras, especialmente da automotiva, para a metalmecânica em função da crise que atingiu, de forma especial, o segmento de veículos pesados.
A câmara automotiva respondeu por 71% do faturamento do setor. Para Reomar Slaviero, presidente do Simecs, a situação não deve se alterar muito mais nos próximos anos até porque o setor automotivo pesado já iniciou o processo de reação. "Esta atividade continua sendo o motor da economia de Caxias do Sul", disse. Já a câmara setorial eletroeletrônica mantém participação de um dígito, na ordem de 8%, um ponto abaixo do consolidado em 2011.
Os outros estados da federação são o principal destino dos produtos da indústria metalúrgica de Caxias do Sul, respondendo por 64% do total. Em relação a 2011, houve recuo de seis pontos. No Rio Grande do Sul ficam 18,5% da produção, índice que era de 20%. As exportações foram as que mais avançaram no período: de 10% para 17,5%. Na comparação com 2016, no entanto, houve recuo de três pontos. "Com a gravidade da crise, várias empresas procuraram o mercado externo como saída, já que o doméstico estava muito retraído. Em 2017, com a retomada interna, houve mudança de estratégia", avaliou Slaviero.