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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 15/02/2018. Alterada em 14/02 às 22h29min

Quaresma: tempo de buscas e de graça

A Quaresma é um tempo de empenho pessoal mais intenso em nosso caminho espiritual.
Somos chamados a dar as razões de nossa esperança em distintos momentos de nossa vida e situações do cotidiano. Faz-se sempre presente a tentação de deixar de lado a fé e as práticas de piedade. Por isso, o processo de conversão, que marca mais intensamente esse tempo litúrgico, representa uma oportunidade privilegiada de confirmação de nossa resposta à proposta de vida que nos chega através do Evangelho de Jesus Cristo, da participação na vida da comunidade de fé e da celebração dos sacramentos.
O tempo quaresmal é uma oportunidade para renovar o nosso empenho no caminho da conversão pessoal e social. De fato, faz-se também sempre presente a tendência a nos fechar em nós mesmos, sem dar o devido espaço para que o Senhor nos indique o caminho a seguir e ver a realidade com o seu olhar.
Converter-se implica amar como Jesus amou, viver como Ele viveu, avaliar a própria existência e realidade com os critérios por Ele legados à comunidade de fé de todos os tempos. É nas pequenas coisas do cotidiano que testemunhamos a verdade, a fé e a confiança no Senhor.
O tempo da Quaresma é marcado por forte apelo à mudança de vida. Essa mudança diz respeito a toda a Igreja, constituída de batizados que vivem da luta da imperfeição à perfeição. Essa luta só é fecunda e construtiva se estiver animada pelo espírito do Evangelho e do verdadeiro amor.
Num mundo marcado por fragmentações de toda espécie, mas também carregado da grandeza de Deus, a Igreja tem a missão de anunciar e testemunhar o Evangelho do Crucificado-Ressuscitado, de ser sinal de unidade e de comunhão, de promoção e defesa da vida humana desde a sua concepção até o seu ocaso natural, de fomento do cuidado pela casa comum, de estar no mundo como um "hospital de campanha" (Papa Francisco).
O espírito da Quaresma provoca cada batizado a questionar-se: o que significa ser cristão? E a resposta é: viver o espírito de Jesus de Nazaré, acolher a sua esperança, segui-lo na vida do cotidiano e colaborar na obra por ele iniciada de levar a Boa-Nova a todos os povos, línguas e nações.
Num tempo marcado por crenças de todo tipo, a experiência da fé cristã ensina que seguir Jesus significa continuar na época atual o que ele fez. Seu objetivo era anunciar o Reino de Deus e a sua justiça. Este objetivo é antidoto a toda forma de fatalismo, comodismo e medo corrosivo de que não haja alternativas para superar as desigualdades sociais, a corrupção, a violência, o descaso pela vida, o tirano poder econômico, as prepotentes autoridades políticas e religiosas e os privilégios descabidos.
Todas as expressões cristãs, especialmente as que participam de um mesmo batismo, têm a grave tarefa comum de seguir Jesus e de tornar sua mensagem conhecida e crível.
Não se pode cair na tentação de reduzir a fé cristã a uma religiosidade, um consumismo espiritual individualista ou uma forma de "autoajuda", como uma adesão a Cristo sem o compromisso pelo outro.
A Quaresma é tempo oportuno para rever atitudes e comportamentos. Como diz o Papa Francisco, não se pode cair no mundanismo espiritual, autocentrado, prisioneiro de sua razão ou dos seus sentimentos, achando-se superior aos demais, seguro de si mesmo, pronto para julgar os outros (Evangelium Gaudium 94).
 
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