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Porto Alegre, domingo, 07 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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Governo Federal

Notícia da edição impressa de 08/01/2018. Alterada em 07/01 às 22h02min

Liberação de emendas bate recorde com Temer

Marun defende que 'as emendas existem para serem executadas'

Marun defende que 'as emendas existem para serem executadas'


/MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC
Em ano de delação do Grupo J&F e suspensão de duas denúncias criminais contra o presidente Michel Temer (PMDB), as emendas parlamentares tiveram em 2017 o maior valor liberado dos últimos quatro anos. Ao todo, foram R$ 10,7 bilhões, um crescimento de 48% em relação ao ano anterior e 68% maior do que o liberado em 2015, quando a execução se tornou obrigatória.
As emendas parlamentares são indicações feitas por deputados e senadores de como o governo deve gastar parte dos recursos previstos no Orçamento. Os parlamentares costumam privilegiar seus redutos eleitorais. Incluem desde dinheiro para obras de infraestrutura, como a construção de uma ponte, até valores destinados a programas de saúde e educação.
Embora impositivas - o governo é obrigado a pagá-las -, a prioridade dada a algumas emendas ainda é fruto de negociação política. Por isso, são usadas para barganhar apoio em votações importantes no Congresso.
Antes disso, os meses seguintes à divulgação da delação premiada da J&F, que implicaram Temer, concentravam os maiores valores liberados aos projetos dos parlamentares. Foram R$ 2,02 bilhões em junho e mais R$ 2,24 bilhões em julho.
Durante a votação da primeira denúncia baseada na delação, no dia 2 de agosto, o então ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy (PSDB-BA), foi flagrado negociando a liberação de emendas com deputados da base aliada. "As emendas existem para serem executadas, independentemente de serem oriundas de parlamentar da base ou da oposição. Na época das votações, a oposição sempre vem com essa cantilena, mas na verdade esse trabalho deve ser permanente", afirmou o atual titular da pasta, Carlos Marun (PMDB-MS).
Levantamento feito pela Agência Estado nas mais de 7 mil emendas individuais que tiveram algum valor executado ao longo do ano mostra que 93,5% do dinheiro desembolsado pelo governo foi para a saúde, única área cuja destinação é obrigatória por lei. Os dados são do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop).
Do R$ 1,36 bilhão que foi para a saúde, quase a totalidade (98%) serviu para apoio e manutenção de unidades em cidades indicadas por parlamentares. O deputado Domingos Neto (PSD-CE), por exemplo, direcionou R$ 11,28 milhões para abastecer os Fundos Municipais de Saúde de 36 prefeituras no interior do Ceará. Sua emenda foi a de maior valor pago no ano.
A segunda área que mais teve emendas pagas foi agricultura, com R$ 39 milhões. A maior delas foi de outro governista, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que conseguiu a liberação de R$ 2,34 milhões para 21 cidades de seu estado.
Na divisão por legendas, 72,8% das emendas empenhadas foram indicadas por parlamentares da base. O PMDB foi o mais contemplado (R$ 1,032 bilhão). Parlamentares do PT, que tem a segunda maior bancada na Câmara, tiveram R$ 831 milhões. Na comparação, porém, a diferença é maior. Foi R$ 1,13 bilhão para parlamentares da base (75,8%), ante R$ 254,05 milhões (17,1%) para opositores.

Verba pagou até shows e marketing para municípios

Embora a maior parte do dinheiro tenha sido destinada à saúde, a lista de emendas parlamentares pagas pelo governo em 2017 inclui de show do cantor Wesley Safadão a campeonato de motocross no interior de Minas. Do total de R$ 2,27 bilhões liberados, pelo menos R$ 5,73 milhões serviram para quitar cachês de artistas.
Em junho, por exemplo, o Ministério do Turismo repassou R$ 1,2 milhão à prefeitura de Maracanaú, no Ceará, por indicação da deputada Gorete Pereira (PR-CE). A emenda havia sido empenhada no mês anterior e serviu para pagar a 13ª edição da Festa de São João da cidade, com show de abertura de Wesley Safadão, que cobrou R$ 246 mil. O valor enviado à prefeitura foi quase integralmente usado para pagar cachês. Apresentaram-se também as duplas sertanejas Bruno & Marrone (R$ 250 mil), e Victor & Léo (R$ 200 mil). Ocorreu em 7 de junho, antes da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) ser apresentada, mas após a revelação da delação de executivos do Grupo J&F. Gorete votou a favor de Temer nas duas denúncias. Ela nega relação da liberação do recurso com o seu voto.
Ao todo, o governo pagou R$ 7,15 milhões para promoção e marketing de municípios, ação na qual se enquadra o repasse para artistas. Valor próximo do que foi destinado para universidades federais (R$ 7,38 milhões) e superior ao enviado para obras de infraestrutura hídrica (R$ 2,58 milhões). Ao todo, foram 55 artistas, em 20 cidades, com cachês que variaram de R$ 30 mil aos R$ 250 mil.
Em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, foram enviados R$ 700 mil para financiar a 34ª Festa das Rosas, por meio de uma emenda do deputado gaúcho Renato Molling (PP), aliado de Temer e marido da prefeita da cidade, Corinha Beatris Ornes Molling (PP). O evento teve shows de Michel Teló (R$ 170 mil), Titãs (R$ 126 mil), Naiara Azevedo (R$ 160 mil), entre outros.
Mas as emendas não financiaram só saúde e shows. Uma emenda do deputado Tenente Lúcio (PSB-MG) garantiu R$ 250 mil para a realização da 5ª etapa do Campeonato Brasileiro de Motocross de Tupaciguara, em Minas. O convênio com o Ministério do Esporte que viabilizou o repasse foi oficializado no dia 23 de outubro, dois dias antes de Tenente Lúcio votar contra o andamento da segunda denúncia contra Temer, a exemplo do que já havia feito em agosto.
A depender das emendas indicadas no Orçamento de 2018, o pagamento de shows continua garantido para este ano. Deputados e senadores destinaram, ao todo, R$ 32,93 milhões para "promoção e marketing de municípios no cenário nacional".
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