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Porto Alegre, terça-feira, 30 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

Alterada em 30/01 às 21h56min

Diálogos para sucessão: afeto e resultado

Patrice Gaidzinski
Mais de 80% das empresas brasileiras são familiares. No entanto, a grande maioria não tem uma vida muito longa, ou seja, na maioria dos casos, não permanece no controle da mesma família mais do que três gerações. Não por acaso, a sucessão é um dos maiores riscos enfrentados por qualquer empresa familiar. Este processo envolve tanto a família acionista quanto a empresa, e exige um planejamento cuidadoso, abrangendo processos de seleção, treinamento e desenvolvimento de pessoas. Portanto os líderes do negócio precisam levar em consideração as particularidades desse tipo de empreendimento. Em grande parte dos casos, as companhias carecem de um espaço de diálogo, onde os agentes envolvidos na sucessão possam identificar o propósito e o significado da continuidade do negócio. Por exemplo: composta, geralmente, por uma pessoa visionária e empreendedora, a primeira geração orienta as equipes através das suas crenças e valores, atuando como a alma e o coração da empresa familiar. Já os herdeiros da segunda geração, embora vivenciem as rotinas de trabalho e acreditem nos valores da empresa, nem sempre estão preparados para assumir cargos de gerência e comandar uma organização. Contrariando a necessidade de capacitação, fatalmente, são colocados nessas posições sem passar pelas etapas necessárias para a evolução profissional. Quando se trata da terceira geração, o contexto é outro. Distantes do negócio familiar, os herdeiros, muitas vezes, não sentem que são parte integrante do empreendimento, não enxergam um propósito e não se identificam com a empresa da família. Eles herdam um negócio sem dono, em que cada um deve assumir a sua função de sócio. Essas dificuldades durante a transição de uma geração para a outra provocam inúmeros reflexos na organização, desde a insatisfação dos colaboradores até o declínio nos resultados. Por isso é fundamental que exista um ambiente de diálogo aberto, no qual seja criado um plano de desenvolvimento de herdeiros, tanto para os que pretendem estar vinculados ao negócio como gestores, como para os que desejam seguir outros caminhos profissionais.
Diretora fundadora da Posterità - Formação e Consultoria a Negócios Familiares
 
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