Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 30 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

COMENTAR | CORRIGIR

Reino Unido

30/01/2018 - 15h27min. Alterada em 30/01 às 15h30min

Documento mostra que Brexit pode derrubar renda britânica em até 8%

Estudo diz que renda nacional do Reino Unido será 8% mais baixa nos próximos 15 anos

Estudo diz que renda nacional do Reino Unido será 8% mais baixa nos próximos 15 anos


JUSTIN TALLIS/AFP/JC
Folhapress
Um documento interno do governo britânico vazado nesta terça-feira (30) sugere que deixar a União Europeia -um processo conhecido como Brexit- terá um impacto negativo à economia do Reino Unido em todos os cenários previstos. O estudo constrange o gabinete da primeira-ministra, Theresa May, que já passa por um momento delicado.
O ministro de Brexit, David Davis, havia negado anteriormente que o governo tivesse qualquer análise do impacto de sua saída da UE, recusando-se a compartilhar as estimativas com o Parlamento. O documento, divulgado pelo site Buzzfeed, já havia sido apresentado em sigilo a alguns ministros, proibidos de deixar a sala de reuniões com os papéis em mãos. O governo não comentou o vazamento.
O estudo diz que a renda nacional será 8% mais baixa nos próximos 15 anos caso o Reino Unido decida deixar a União Europeia sem nenhum acordo. Se houver um acordo comercial com o bloco, a diminuição será de 5%. Mesmo se o país continuar no mercado comum europeu, a renda diminuirá, caindo ao menos 2%. Esses três cenários levam em conta que o Reino Unido terá um acordo comercial com os EUA, por enquanto não garantido.
Segundo a análise vazada, os setores mais afetados serão as indústrias química, têxtil, alimentícia e automobilística, com as maiores quedas registradas no nordeste e na Irlanda do Norte. "Por meses, o governo de Theresa May se recusou a entregar qualquer análise detalhada do impacto em potencial de diversos cenários do Brexit. Agora sabemos por que eles se dedicaram com tanto desespero a esconder isso", disse a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, após a divulgação desse relatório.
"Não surpreende que o governo tenha repetidas vezes se negado a publicar qualquer análise séria sobre o Brexit, pois seu próprio estudo de impacto mostra o que é óbvio há muito tempo: que seu plano desajeitado para abandonar o mercado único e a união alfandegária nos deixa em uma situação muito pior do que antes", afirmou o parlamentar trabalhista Chris Leslie. Esse não é o primeiro relatório vazado. Em novembro passado, por exemplo, papéis da UE foram divulgados, revelando detalhes de sua estratégia à negociação.
O governo britânico tem se recusado a publicar esse tipo de análise de impacto do Brexit a partir do argumento de que as cartas em aberto prejudicam a negociação do Reino Unido com a União Europeia. Nessas tratativas, por ora a primeira-ministra May foi a principal derrotada, obrigada a ceder em diversos pontos. Ela teve, por exemplo, de se comprometer a não erguer um controle fronteiriço entre o território britânico da Irlanda do Norte e a Irlanda, um país-membro da UE.
O vazamento do estudo também lhe prejudica porque deixa evidente que, apesar de todos os cenários serem negativos à economia no médio prazo, o melhor deles é permanecer no mercado comum europeu, que congrega 500 milhões de consumidores. May e seus negociadores são contra essa alternativa.
O Brexit foi decidido em um plebiscito em junho de 2016, fomentado pela aversão à entrada de migrantes e pela ideia de que Londres tinha de retomar o controle de sua política -algumas prerrogativas dos países-membros da União Europeia são transferidas a Bruxelas, um dos centros burocráticos do bloco.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia