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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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Espanha

Notícia da edição impressa de 18/01/2018. Alterada em 17/01 às 21h28min

Rajoy teme retorno de Puigdemont

Assentos de legisladores presos foram marcados com laços amarelos

Assentos de legisladores presos foram marcados com laços amarelos


/LLUIS GENE/AFP/JC
O Parlamento catalão se reuniu ontem - pela primeira vez desde a sua dissolução forçada e das eleições antecipadas de 21 de dezembro - e elegeu como líder Roger Torrent, do partido Esquerda Republicana da Catalunha, a favor da separação da região autônoma. Em meio ao embate com o governo central, sediado na capital da Espanha, Madri, os deputados têm dez dias úteis para nomear e votar o novo presidente dessa região.
Os partidos a favor da secessão usaram sua pequena margem de maioria para eleger Torrent. Ele agora tem a incumbência de liderar o comitê governamental, cuja tarefa será decidir quais questões serão debatidas e votadas no Parlamento. Ele deve decidir qual candidato tentará formar um governo na região até o final deste mês.
Madri teme que os deputados voltem a escolher o ex-presidente separatista Carles Puigdemont, hoje foragido em Bruxelas. Partidos pró-independência já estão de acordo quanto a essa nomeação, que o governo espanhol planeja contestar na Justiça.
Segundo o regulamento do Parlamento da Catalunha, Puigdemont precisa discursar presencialmente quando se apresentar ao cargo - algo improvável, pois o ex-presidente deve ser detido caso retorne a Barcelona. Separatistas sugerem que ele faça seu discurso a distância, provavelmente por Skype, mas o próprio comitê legal do Parlamento catalão desautoriza essa saída, vista como irregular.
O possível retorno de Puigdemont preocupa o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy. O ex-presidente catalão, afinal, esteve por trás do plebiscito independentista de 1 de outubro, com 43% de participação e 90% dos votos a favor da separação.
Aquela consulta abriu a crise mais grave da história recente espanhola, e levou Madri a dissolver a administração catalã e antecipar as eleições. Após o plebiscito, o Parlamento catalão declarou a sua independência de maneira unilateral. Em resposta, o governo espanhol acusou líderes separatistas - entre eles, Puigdemont - de crimes como rebelião, sublevação e uso irregular de verba.
Puigdemont fugiu para Bruxelas, na Bélgica, em outubro, de onde segue realizando sua campanha eleitoral. Por meio de um porta-voz, ele disse ontem estar disposto a voltar "no mesmo minuto" em que as autoridades espanholas derem garantias de que não será detido.
Em mensagem no Twitter, o líder catalão exilado criticou as mesmas autoridades, dizendo que "elas entendem apenas sobre medo, violência e imposição", e prometeu restabelecer seu antigo gabinete como governo legítimo. "Mostraremos (a Madri) que não há nada que possa dobrar o espírito do povo livre", afirmou o político na rede social.
O embate entre Rajoy e Puigdemont deve se agravar caso o catalão seja, de fato, eleito outra vez pelo Parlamento. Ao recorrer à Justiça, o governo espanhol será acusado de intervir demais na política regional. Apesar dos esforços de Rajoy, os separatistas saíram vitoriosos do pleito de dezembro. Os três partidos - Juntos pela Catalunha, Esquerda Republicana e Candidatura de Unidade Popular - têm 70 dos 135 assentos, o suficiente para eleger Puigdemont.
 
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