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Porto Alegre, domingo, 28 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Construção civil

Notícia da edição impressa de 29/01/2018. Alterada em 28/01 às 23h15min

Após Lava Jato, OAS faz união com chineses

Empreiteira quer entrar em disputas como prestadora de serviços

Empreiteira quer entrar em disputas como prestadora de serviços


/REPRODUÇÃO FACEBOOK/DIVULGAÇÃO/JC
Sem dinheiro depois de ser abatida pela Lava Jato, a OAS quer se manter no negócio de construção com ajuda de parceiros chineses. Para isso, o grupo baiano, em recuperação judicial desde 2015 e sem acesso a financiamentos, firmou parcerias com empresas asiáticas interessadas num atalho para o setor de construção. A ideia é que, na hora de disputar os projetos, os estrangeiros entrem como sócios.
A empreiteira fia-se nesse modelo para engordar a carteira de contratos, algo essencial para garantir sua sobrevivência. O grupo é hoje uma fração do que era antes da Lava Jato, quando faturava R$ 8 bilhões e tinha 120 mil funcionários. Fechou 2017 com menos de R$ 2 bilhões em receita e pouco mais de 20 mil empregados. Procurada, a OAS não quis conceder entrevista.
Com as parcerias, a companhia baiana planeja conquistar ao menos R$ 3 bilhões em obras este ano. A meta parece ambiciosa para uma empreiteira cuja imagem foi fortemente arranhada - a OAS está no centro do caso que levou à condenação do ex-presidente Lula. Mas, segundo fontes, o comando da empresa justifica a estimativa listando conquistas recentes. Depois de passar 2015 sem fechar nenhum contrato, em 2016 a OAS ganhou quatro obras, de
R$ 800 milhões. No ano passado, outras dez concorrências, que somam R$ 1,6 bilhão. Este ano, já conquistou uma obra da Sabesp, empresa de saneamento de São Paulo. A lógica agora é entrar nas disputas como prestadora de serviços, e não mais como investidora - ou seja, a empresa não quer mais entrar como sócia de empreendimentos, como fez, por exemplo, com o aeroporto de Guarulhos (SP). Para os chineses, a vantagem é usar a expertise da OAS em obras de infraestrutura e seu conhecimento de mercados específicos, como a América Latina, para vencer licitações. E trazer para essas obras suas empresas de projetos, por exemplo, ou vender seus equipamentos.
No Brasil, a OAS já tem parceria com a XCMG, maior produtora chinesa de máquinas para construção civil, que auxilia na formatação de projetos e concede prazos favoráveis para compra de equipamentos. Procurada, a XCMG não respondeu. A OAS mapeou ainda 30 licitações no Brasil e no exterior em que poderia participar, e firmou memorandos de entendimento com ao menos cinco empresas - a maior parte chinesas - para disputar esses contratos em conjunto.
De qualquer forma, a empreiteira baiana está muito distante da estimativa apresentada aos credores no desenho de sua reestruturação. À época, disse que conseguiria R$ 8 bilhões em obras em 2016 e 2017. A interlocutores, executivos da empresa dizem que o ajuste foi necessário diante do atraso na venda da Invepar, que administra o aeroporto de Guarulhos.
A fatia de 24,4% na empresa de concessões sempre foi o ativo mais valioso que a OAS tinha a oferecer aos credores, que aceitaram ficar com a participação em troca do perdão de parte da dívida de R$ 10 bilhões. Mas a empresa não conseguiu transferir as ações até hoje.
Para se reerguer, a OAS não depende apenas de sucesso nos negócios - de novos contratos e da venda de ativos. Precisa, também, resolver suas encrencas jurídicas. A principal delas é seu acordo de leniência, que está travado. Se isso não ocorrer, a companhia ficará vulnerável a processos e a cobranças de indenizações pelo governo em razão de seu envolvimento em esquemas de corrupção. Corre o risco ainda de ser impedida de disputar contratos públicos, o que praticamente enterraria qualquer plano de reestruturação.
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