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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 18/01/2018. Alterada em 17/01 às 21h57min

Opinião econômica: Para ter boas notícias

Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa

Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa


Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
Uma razoável sequência de boas notícias deu certo refresco ao cenário econômico do início de ano.
A bolsa bateu recordes de alta no Brasil e nos Estados Unidos. O superavit da balança comercial brasileira atingiu R$ 67 bilhões em 2017, o maior da história.
A previsão de crescimento do PIB se aproxima de 3%. A inflação continua abaixo da meta de 4,5%, e a taxa de juros básica, embora ainda alta, está para 7%.
Até o deficit fiscal da União, calcanhar de Aquiles para a atual equipe econômica do governo, ficou R$ 30 bilhões abaixo do esperado.
Trata-se, sem dúvida, de onda favorável, mas o País está longe de comemorar uma nova fase de conquistas econômicas. Além das reformas, faltam ações afirmativas em áreas importantes para engrossar esse movimento gerador de boas notícias e estimular a volta do crescimento sustentável.
É lamentável e até ingênuo que os incentivos setoriais sejam todos considerados vilões da crise fiscal. Com essa justificativa, vem sendo adiado, por exemplo, o acordo para que a indústria automobilística possa acompanhar a atualização tecnológica em curso no mundo. Enquanto isso, outros países, menos infectados pela ingenuidade neoliberal, oferecem generosos subsídios e isenções tributárias aos carros elétricos, que consomem energia mais limpa. Na Noruega, os elétricos já respondem por metade dos automóveis novos vendidos.
Para se recuperar do trauma, a indústria, que encolheu 17% em três anos, precisa de apoio creditício, com juros civilizados, para que possa operar em condições de igualdade com seus concorrentes globais. Setores estratégicos e aqueles voltados para o futuro tecnológico e digital precisam - por que não? - de incentivos.
Esquemas retranqueiros, como sabemos, não ganham jogo nem vão ajudar a consertar nosso calcanhar de Aquiles, a crise fiscal. Podem agravá-la. A desindustrialização brasileira é uma das principais causas da perda de receitas do governo. Um trabalho da FGV, publicado meses atrás na revista Conjuntura Econômica, mostra que a contração de 4,2% na arrecadação federal de 2011 a 2016 teve como uma das principais causas a redução de 22% das receitas tributárias provenientes da indústria de transformação.
Agora que o Brasil começa a se recuperar dos três anos de retrocesso econômico, chegou a hora de refletir sobre quanto custou ao País o conservadorismo que agravou a recessão desnecessariamente com juros exorbitantes, enquanto o mundo praticava taxas negativas. Será difícil identificar, no passado e no futuro, outro caso de país que tenha convivido ou venha a conviver com juros tão absurdamente altos em momentos de devastação recessiva.
A política rentista e o viés ideológico fizeram com que os juros fossem mantidos, durante toda a recessão, em nível muito mais alto do que a inflação exigia. Ainda hoje, a inflação está em 3% ao ano, e o juro básico, em 7%. Isso foi e continua sendo um desastre para o País: encareceu o custo de capital, aumentou as despesas com a dívida pública, espalhou desemprego, fechou negócios, destruiu consumo e reduziu renda.
Em resumo, a enorme recessão brasileira foi agravada impunemente por uma política rentista que tem de ser compensada com muito mais do que foi feito até agora para que as boas notícias do começo do ano sejam melhoradas.
Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa
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