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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Sistema Financeiro

Notícia da edição impressa de 18/01/2018. Alterada em 18/01 às 00h17min

Vices da Caixa passarão por avaliação do conselho

Quatro executivos foram afastados temporariamente das funções

Quatro executivos foram afastados temporariamente das funções


/MARCO QUINTANA/JC
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou, nesta quarta-feira, que todos os vice-presidentes da Caixa Econômica Federal terão que passar por uma avaliação técnica do conselho da instituição. Isso ocorre em função do novo estatuto do banco, que será ajustado à nova lei das estatais. Embora o presidente Michel Temer (PMDB) tenha determinado o afastamento temporário de quatro vice-presidentes da Caixa que estão sendo investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal por irregularidades, Meirelles assegurou que todos os executivos terão que ser avaliados e confirmados pelo conselho.
"O novo estatuto deve prever que todos devem passar por um critério de avaliação técnica e ser confirmados pelo conselho. O conselho vai ver a situação dos vice-presidentes que não foram afastados, mas que serão analisados pelo conselho, para saber se ficam ou não. Os que foram afastados apresentarão sua defesa", disse Meirelles. O novo estatuto deve ser aprovado nesta sexta-feira.
Questionado sobre o fato de que a indicação de vice-presidências da Caixa passará a ser feita pela presidente do conselho, a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, Meirelles ponderou que "a decisão não é da presidente do conselho, é do conselho. A partir de agora, todos os vice-presidentes serão avaliados tecnicamente nos termos decididos pelo estatuto".
O ministro admitiu que, futuramente, haverá uma discussão na Caixa sobre o tamanho da cúpula da instituição, que, hoje, tem 12 vice-presidentes. Mas disse que o importante, agora, é definir prioridades no determinado momento, a estrutura que será objeto de discussão para tornar a empresa mais eficiente.
Meirelles também comentou os estudos que o Banco Central está fazendo para reduzir os juros do cheque especial no País. O trabalho está sendo feito em parceria com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Segundo o ministro, no entanto, ainda não foi definida nenhuma medida específica sobre o assunto. "Acho que é importante a queda dos juros do cheque especial, que está muito elevado. Não há nenhuma medida específica definida ainda, o Banco Central está estudando várias alternativas."

Substitutos ficam interinamente no cargo por 30 dias, diz portaria

O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, assinou, nesta quarta-feira, portarias de designação para substituição, por 30 dias, dos quatro vice-presidentes afastados. Após os 30 dias, caso haja necessidade, as designações passam a ser de competência do conselho de administração do banco. A informação consta de comunicado divulgado no início da tarde pela instituição.
Segundo a nota, o vice-presidente de Corporativo, Antônio Carlos Ferreira, será substituído interinamente pelo diretor de Banco Corporativo, Luiz Gustavo Silva Portela; a vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias, Deusdina Pereira, será substituída interinamente pelo diretor de Fundos de Governo, Valter Gonçalves Nunes; o vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital, José Henrique Marques da Cruz, será substituído pelo diretor de Clientes e Canais, Ademir Losekann; e o vice-presidente de Governo, Roberto Derziê de Sant'Anna, será substituído interinamente pelo diretor de Serviços de Governo, Roberto Barros Barreto.
"A Caixa ressalta que possui uma governança estabelecida em critérios sólidos, como demonstrado amplamente nos resultados que a empresa vem alcançando nos últimos anos. A Caixa continua fazendo seu trabalho e sua missão, gerando valor aos clientes e sociedade como instituição financeira pública e principal agente de políticas públicas do Estado brasileiro", diz um trecho do comunicado.

Cunha nega tráfico de influência e atribui nomeação a Michel Temer

Em nota escrita no complexo penal onde está preso, no Paraná, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) negou que tenha exercido influência sobre a cúpula da Caixa e afirmou que a nomeação de um dos dirigentes afastados do banco coube ao presidente Michel Temer.
Acusado de pressionar Antônio Carlos Ferreira, que, até esta terça-feira, comandava a área Corporativa do banco, Cunha declarou no texto que não tem "relação", "influência" ou "qualquer relação pessoal" com os quatro vice-presidentes afastados por suspeitas de irregularidades.
O ex-deputado afirmou que Ferreira foi indicado para a vice-presidência Corporativa da Caixa em 2014 "pela então deputada e hoje senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) diretamente ao então vice-presidente Michel Temer" quando Cunha era líder do PMDB na Câmara.
"Coube a Michel Temer a sua nomeação à época atendendo à hoje senadora", declarou o ex-parlamentar, acrescentando que Ferreira foi indicado para substituir Geddel Vieira Lima no cargo.
Cunha afirmou que esteve com Ferreira apenas duas vezes após sua nomeação para o cargo no comando da Caixa. O ex-deputado diz que o então vice-presidente o procurou "para se pôr à disposição da bancada por orientação de Rose de Freitas".
Ferreira disse, em auditoria interna da Caixa, que Cunha cobrava dele informações semanais sobre operações do banco superiores a R$ 50 milhões e que procurou Michel Temer para reclamar da pressão do ex-deputado. Segundo o depoimento, Temer afirmou que Ferreira deveria continuar trabalhando e que nada aconteceria com sua posição no banco.
Cunha afirmou que as declarações de Ferreira são falsas e que Temer "jamais relatou qualquer queixa dele". "Se não tive qualquer influência na sua nomeação, qual a razão de ele depender de mim para permanecer?", questionou, na nota.
O Palácio do Planalto afirmou que, em uma reunião, Temer "tranquilizou o vice-presidente Antônio Carlos Ferrreira, que não queria atender às demandas do deputado Eduardo Cunha, para que (ele) mantivesse inalterado seu comportamento".
Em nota, Antônio Carlos Ferreira disse que é servidor efetivo da Caixa, à qual tem prestado serviços "com ética e dedicação" há 35 anos. Ele afirmou que enfrentou com "veemência" as "absurdas exigências" de Cunha assim que foi nomeado.

Bndes e Sebrae assinam acordo para financiar MPEs

Para tentar reverter a queda no crédito para Micro e Pequenas Empresas (MPEs) que ocorreu nos últimos anos, o Sebrae e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) assinaram ontem um acordo de cooperação em financiamento, garantias e orientação que pode beneficiar até 280 mil empresas de menor porte. Um dos objetivos é facilitar a concessão de empréstimos com recursos do banco de fomento por meio de parcerias com as chamadas "fintechs de crédito" - empresas de tecnologia que propõem soluções para tornar as finanças um terreno mais amigável.
De acordo com dados do Banco Central, o volume de crédito concedido para micro e pequenas empresas caiu bastante nos últimos quatro anos. Entre 2014 e 2017, os bancos públicos e privados reduziram os empréstimos em 33% para as micro e em 29% para as pequenas firmas.
Com o acordo assinado nesta quarta-feira, o Sebrae e o Bndes estimam que os financiamentos para MPEs cheguem a R$ 6 bilhões nos próximos dois anos. A parceria pretende beneficiar até 150 mil Microempreendedores Individuais (MEIs), 90 mil microempresas e 40 mil empresas de pequeno porte.
Com a entrada em vigor da Taxa de Longo Prazo (TLP) no começo deste ano para remuneração dos empréstimos concedidos pelo Bndes, o banco adotou mudanças operacionais que adequaram a classificação de pequenos negócios à legislação vigente. Ou seja, considerando um faturamento anual de até R$ 81 mil para MEIs, R$ 360 mil para microempresas e R$ 4,8 milhões para as pequenas.
"Temos criticado bastante o sistema de crédito no Brasil, principalmente a concentração no sistema financeiro. Os bancos se tornaram grandes demais para atender aos pequenos. E criticamos o Bndes por concentrar seus recursos no universo das grandes empresas", afirmou o diretor-presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.
Segundo ele, a parceria firmada quer fazer com que os recursos cheguem também aos micro e pequenos empreendedores. "Não é simplesmente assinar um convênio com o Bndes, mas fazer acontecer. Temos que ter fintechs que saibam trabalhar com microcrédito."
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