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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Comércio Exterior

Notícia da edição impressa de 18/01/2018. Alterada em 18/01 às 00h17min

Siderúrgicas negam ser contra aço importado

Indústria nacional afirma que vem sendo prejudicada por empresas russas e chinesas

Indústria nacional afirma que vem sendo prejudicada por empresas russas e chinesas


/LEONID STRELIAEV/DIVULGAÇÃO/JC
Insatisfeito com as críticas que vêm recebendo de parte do governo e do empresariado, o setor siderúrgico afirma que não é contra a importação. Ao pedir que o governo levante barreiras ao aço que vem de China e Rússia, o setor afirma combater a concorrência desleal.
"A importação faz parte do jogo, desde que dentro das regras de comércio", afirmou Marco Polo de Melo Lopes, presidente do Aço Brasil (associação que reúne as siderúrgicas). "Este produto pode ser importado do Japão, Índia, EUA, Coreia do Sul, é uma commodity. China e Rússia foram pegas na contravenção, com práticas desleais."
As siderúrgicas pedem que o governo imponha medidas antidumping, que encareceriam o preço do aço importado destes países. Investigação feita pelo Decom (Departamento de Defesa Comercial) no ano passado concluiu que empresas chinesas e russas venderam aço mais barato no Brasil, o que prejudicou a indústria brasileira entre 2013 e 2015.
A decisão sobre a barreira de proteção será dada hoje pela Camex (conselho que reúne oito ministérios). No dia 16, o ministro Blairo Maggi afirmou que o Ministério da Agricultura votará contra a proteção ao aço brasileiro, por temer retaliações da China. "Há um problema com a indústria, mas o meu problema é a agricultura", afirmou. "Na China tudo é interligado, então no momento em que o Brasil colocar proteção no aço aqui, isso vai prejudicar o agronegócio lá. E o meu negócio é defender o agronegócio."
Setores consumidores de aço, como fabricantes de veículos, de máquinas e de eletrodomésticos temem os efeitos de alta de preços da matéria-prima no Brasil. Estudo do Ministério da Fazenda - contrário à proteção - afirma que o impacto seria de 0,09%, o que poderia fazer com que eletrodomésticos pudessem subir até 3%. Já estudo do núcleo econômico da Camex vai na direção oposta e aponta um impacto quase nulo, de 0,0008% sobre os preços internos.
Lopes afirma que a análise técnica do Decom foi feita e que as críticas da Fazenda são "conceituais". "Já ouvi na Fazenda que antidumping não deveria existir. É um pessoal que vive fora do mundo real, não sabe o que é China e o que são práticas predatórias. Empresas desaparecem por competição desleal", afirma o executivo.
O representante do setor siderúrgico argumenta que, com a sobreoferta de aço no mundo, em razão do menor crescimento econômico global, os países estão aproveitando para despejar produtos nos países que não se protegem. "Mandamos uma sinalização muito ruim para o mundo, e acho que seria o enfraquecimento da nossa defesa comercial", afirma. "Ressaltamos que a Camex são oito representantes. Imaginar que posição da Fazenda ou Agricultura represente uma tomada de decisão, não precisaria do conselho."
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