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Porto Alegre, domingo, 28 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 29/01/2018. Alterada em 26/01 às 17h12min

O preço da liberdade: longa Todo o dinheiro do mundo estreia nesta semana

Na produção, Christopher Plummer vive magnata que teve neto sequestrado

Na produção, Christopher Plummer vive magnata que teve neto sequestrado


DIAMOND FILMS/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Há pouco menos de três meses, Christopher Plummer nem estava no elenco de Todo o dinheiro do mundo. Agora, tem até uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante por sua interpretação do magnata do petróleo John Paul Getty. Plummer foi escalado às pressas para substituir Kevin Spacey, cortado do longa-metragem após uma onda de acusações de assédio sexual. Polêmicas à parte (leia abaixo), a troca deu resultado. Mesmo que não seja o favorito ao prêmio, o veterano é um dos trunfos do filme, com estreia na quinta-feira.
Dirigida por Ridley Scott (Alien, Thelma & Louise), a obra tem como inspiração um episódio real e emblemático para a família Getty. Em 1973, um dos netos do bilionário foi sequestrado na Itália. Cientes das condições financeiras do avô do adolescente, os criminosos pediram um alto valor em dinheiro para liberar o garoto. A resposta do magnata foi mais ou a menos a seguinte: "Tenho 14 netos. Se eu pagar, terei 14 netos sequestrados".
O drama acompanha a tensão da mãe do rapaz, ex-nora de Getty, a qual não tem recursos para negociar sozinha com os sequestradores. Além dela (papel de Michelle Williams, outro destaque individual), o núcleo de personagens principais ainda conta com o próprio garoto (Charlie Plummer, sem parentesco com o veterano ator) e o profissional encarregado pelo magnata a achar uma solução para o caso (Mark Wahlberg).
Escrito por David Scarpa, o roteiro apresenta um misto de crítica à ganância, drama familiar e filme de resgate - por vezes, as mudanças de direção até enfraquecem a imersão na história. No entanto a produção se sai muito bem quando funciona como uma espécie de comédia do absurdo. Não há piadas ou trapalhadas ao longo das duas horas e dez minutos de duração do enredo, mas há tanto descompasso no comportamento de Getty que tudo parece uma brincadeira sádica.
Vencedor do Oscar de ator coadjuvante em 2012, por Toda forma de amor, Christopher Plummer tem contribuição direta nesse resultado. Há uma lógica que só seu personagem consegue ver - e o ator faz uso dela para torná-lo detestável, munindo-se do fato de o magnata ser muquirana até a última gota. Na época do sequestro, o empresário era o homem mais rico do mundo. Entretanto são as preferências e a conduta do bilionário, construídas pouco a pouco, que se acumulam até a sua resistência ganhar contornos surrealistas.
No Globo de Ouro, o longa-metragem concorreu aos prêmios de melhor filme em drama, atriz em drama (Michelle Williams) e ator coadjuvante (Plummer).

Polêmicas fora de cena

Michelle Williams tem atuação elogiada no filme de Ridley Scott

Michelle Williams tem atuação elogiada no filme de Ridley Scott


/DIAMOND FILMS/DIVULGAÇÃO/JC
Até novembro, o grupo de pessoas cientes de que o diretor Ridley Scott tinha um novo filme para ser lançado era composto basicamente por cinéfilos. De lá para cá, entretanto, duas polêmicas fizeram com que o longa-metragem fosse conhecido por um público maior.
Todo o dinheiro do mundo já estava finalizado, com data de estreia nos Estados Unidos para 22 de dezembro e exibição especial no AFI Fest de Los Angeles na segunda semana de novembro. Com uma transformação pessoal e maquiagem que costumam comover os votantes do Oscar, o ator Kevin Spacey tinha o papel do bilionário John Paul Getty quando vieram à tona as acusações de assédio sexual por parte do artista. Em uma atitude inédita em Hollywood, Ridley Scott optou por deletar todas as cenas em que Spacey aparecia e regravá-las com Christopher Plummer no papel do magnata, mantendo a data de estreia e cancelando apenas a sessão em Los Angeles.
A segunda polêmica de bastidores surgiu no começo de janeiro. Michelle Williams e Mark Wahlberg, dois dos atores que precisaram refilmar cenas com o novo colega, tiveram os salários pelo trabalho extra divulgados. Como o contrato da atriz previa refilmagens, ela recebeu menos de US$ 1 mil pelo serviço, enquanto
US$ 1,5 milhão foi destinado a ele. A repercussão da discrepância, apontada por uma questão de gênero, levou Wahlberg a doar, em nome da colega, a quantia ao Time's Up, fundo dedicado ao apoio de vítimas de assédio na indústria do cinema.
 
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