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Porto Alegre, terça-feira, 26 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Política

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STF

Notícia da edição impressa de 27/12/2017. Alterada em 26/12 às 22h48min

Mendes 'não aceita' suspeição movida por ex-procurador

Gilmar Mendes disse que atuou com 'independência' no caso

Gilmar Mendes disse que atuou com 'independência' no caso


CARLOS MOURA/SCO/STF/JC
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pediu à presidente da corte, Cármen Lúcia, que negue ação de suspeição movida pelo ex-procurador Marcelo Miller. A defesa evocou suposta parcialidade de Mendes para julgar habeas corpus do ex-integrante da força-tarefa Greenfield - investigação sobre desvios dos fundos de pensão.
Miller requereu a suspeição de Mendes no âmbito de um pedido que fez ao Supremo para ficar em silêncio na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da JBS. Em sorteio, a relatoria caiu com o ministro, que acabou, posteriormente, acolhendo o pedido da defesa, permitindo que o ex-procurador não se pronunciasse sobre perguntas quando comparecesse na comissão.
Miller é alvo de investigação por suposto jogo duplo em benefício da JBS na época em que ocupou cargo no Ministério Público Federal. Seu nome foi citado por Joesley Batista em um dos áudios em que o empresário confessa supostas omissões em sua delação e que culminaram com a rescisão de seu acordo com a Procuradoria-Geral da República e o Supremo.
Quando fez o pedido, em 24 de novembro, o habeas ainda não havia sido julgado. A defesa de Miller afirmou a Cármen que Mendes seria parcial ao julgar seu pedido com base em declarações públicas do ministro. Entre as afirmações de Mendes que embasaram o pedido de suspeição estão críticas que o ministro fez a Rodrigo Janot em sessão no dia 6 de setembro, envolvendo a condução do então procurador-geral da delação da JBS. "Todos sabiam do envolvimento do Marcello Miller nesse episódio (delação da JBS). Só o doutor Janot é que escamoteava, que escondia", afirmou Mendes na ocasião.
No mesmo dia 24 de novembro, a defesa de Miller obteve liminar concedida por Mendes para que o ex-procurador ficasse calado na CPI. "Comprovando minha independência na avaliação da causa, antes mesmo de tomar conhecimento da presente arguição, deferi medida liminar, nos exatos termos em que requerida pelos impetrantes", argumenta Mendes, sobre o pedido, a Cármen. "Ante o exposto, informo a vossa excelência que não aceito a suspeição e pugno por sua integral rejeição."
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