Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 19 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

COMENTAR | CORRIGIR

artigo

Notícia da edição impressa de 20/12/2017. Alterada em 19/12 às 21h26min

O fim da vaca leiteira

Nilton Santos
É lamentável que no Rio Grande do Sul, que já foi o celeiro do Brasil, a vaca leiteira tenha ido para o brejo. Enquanto você compra um refrigerante em lata de 350 ml em qualquer bar de esquina por R$ 5,00 - que é composto por água, xarope e gás -, o leite, alimento importante para a saúde das crianças e de adultos, é comprado do produtor por R$ 0,80 o litro.
Não bastasse isso, ainda tem empresa que, em vez de comprar só leite produzido no Rio Grande do Sul, importa leite em pó do Uruguai, que, por sua vez, compra da Austrália. Não se pode esquecer, ainda, que aquele litro de leite comprado por R$ 0,80 é vendido nos supermercados por R$ 3,00 ou até R$ 4,00 o litro, principalmente o da caixinha amarela, que é o mais caro.
É público que os deputados estaduais vêm tratando do tema em audiências e reuniões - entre eles, os parlamentares Edson Brum, Aloísio Classmann, Gerson Burmann e Elton Weber -, mas a luta fica cada dia mais difícil, pois o governo federal não toma medidas urgentes e dignas de respeito com o produtor gaúcho, na maioria pequenos proprietários que, mesmo pagando para trabalhar, grande parte insiste em produzir. Por outro lado, algumas regiões tradicionais na produção leiteira, que outrora foram grandes produtoras, hoje já não produzem sequer um litro de leite para comercialização.
Sei que a indústria tem que ganhar, mas vejam só: do leite ainda derivam outros produtos, como manteiga, iogurte e queijo, entre outros, que são vendidos por preços altíssimos. É lucro e mais lucro, enquanto aquele que trabalha dia e noite, no frio ou no calor, não tem domingo nem feriado, e ainda tem que comprar boas vacas e investir em qualidade, acaba amargando prejuízos históricos.
Do jeito que vai, logo não será só a vaca que irá para o brejo, mas a economia também. Será que nem um governante enxerga o problema? Pois é de se imaginar que, num futuro próximo, tenhamos que comprar leite de fora, acabando com o produtor rio-grandense.
Jornalista e cientista político
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia