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Porto Alegre, terça-feira, 19 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 20/12/2017. Alterada em 19/12 às 21h36min

Drogas são o mal que alimenta a criminalidade

É quase uma rotina no noticiário saber-se da disputa pelos lucrativos pontos de venda de drogas. Também quase sistemática, a divulgação da ação policial no combate a este nefasto comércio, alimentado, sempre deve-se gizar, pelos que consomem e pagam bem pelas drogas. Mas nem sempre foi assim.
Os que estão na chamada terceira idade devem se lembrar que a grande transgressão na sua juventude era fumar. Fumar escondido, geralmente, eis que os pais daqueles anos não aceitavam isso, no mais das vezes. A proibição, entretanto, tinha um viés não muito correto, pois julgavam que fumar era algo "feio". Na realidade, como até hoje, tratava-se de uma questão de saúde, pois fumar faz mal, não de postura social, mesmo que os rapazes se julgassem, então, como adultos, ao fumar.
Os anos passaram, e, neste século XXI, alguns milhões pularam o cigarro e aderiram, lastimavelmente, às drogas, vendidas em pontos das cidades, Porto Alegre no meio. Com o grande consumo, foi fechado o ciclo muito conhecido: se há quem compre e pague, haverá, sempre, quem venda, mesmo sob as penas da lei.
Ainda que se diga que é uma ideia simplificada demais, assim funciona o grande e lucrativo mercado da maconha, da cocaína e de outras substâncias que levam à dependência, não raro a alucinações e a atos de violência, dentro e fora das moradias. O controle dos pontos de venda assume proporções diretamente ligadas ao faturamento. O abastecimento é feito pela produção própria ou pelo contrabando escancarado pelas fronteiras terrestres e fluviais do Brasil com outros países. A licenciosidade da sociedade, que rompeu com muitos grilhões educacionais, nem sempre de maneira correta, fez com que muitas famílias descurassem no monitoramento do comportamento dos filhos adolescentes. Do cigarro e da "cuba libre", saltamos para drogas como a maconha e, rapidamente, para a cocaína, além daquelas químicas, como ácidos, dos quais o mais popular foi o LSD. Hoje, há o terrível crack. Fácil de ser obtido e barato para ser comprado. As crises financeiras escancaram as portas para a marginalidade em mentes e corpos não muito sadios. Não se justifica com a pobreza que alguém enverede pela marginalidade, mas que, em parte, explica, é uma verdade.
Depressão, angústia, apelos desenfreados ao consumo, competição, falta de horizonte profissional e a busca incessante pelo difícil emprego regular sufocam a mente e os corações de milhões de jovens brasileiros. Não basta mais ter um diploma universitário, a tecnologia atropela, de ano em ano, tudo o que servia antes.
No século XX, duas décadas era o prazo mínimo para que novidades fossem incorporadas. Tanto é verdade que a máquina de escrever reinou de 1930 até os anos de 1990, cerca de 60 anos. Pois, nos últimos 20 anos, tudo mudou. A informática derrubou paradigmas e modelos de empresas, escritórios, serviços, sistemas bancários e, com a internet, trouxe o mundo virtual para dentro de nossos lares. Os telefones chamados de "espertos"
tornaram-se acessíveis a todas as classes sociais, encurtando, como jamais visto, distâncias, aproximando pessoas, mas as distanciando do saudável diálogo, à troca de ideias presenciais. No rastro do mercado das drogas, o aumento da violência, violência que não exclui escolas em bairros de Porto Alegre.
Como sempre, somente com a educação familiar e aquela transmitida através das escolas conseguiremos, pelo menos, minimizar a praga social que são as drogas. Esta é uma guerra que a sociedade não pode perder, pois estará perdendo o seu próprio futuro. É, pois, um esforço coletivo.
 
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