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Porto Alegre, quarta-feira, 13 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 14/12/2017. Alterada em 13/12 às 18h43min

Agropecuária ergue-se entre muitas dificuldades

A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano, abalou alguns setores da agropecuária nacional. Suspensão das importações por vários países importantes foi o resultado mais rápido e visível para as falcatruas apontadas pelos investigadores.
Mas, na opinião do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, ele mesmo um nome importante no setor empresarial de carnes, a Operação Carne Fraca, que, em consequência, levou ao fechamento momentâneo de alguns mercados, foi positiva, pois foi superada. Ainda segundo Maggi, "foi bom que tenha acontecido a Carne Fraca. Foi bom porque passamos por ela". Realmente, foi assim que aconteceu, quando se faz uma retrospectiva específica do setor nacional.
Por isso, foi festejado o lançamento do Selo Agro Mais Integridade, que funcionará como um prêmio para empresas e entidades do setor que adotarem práticas de governança e gestão capazes de evitar desvios de conduta. Assim, a Operação Carne Fraca foi um ponto de partida para projetos de governança, com a adoção da chamada "compliance", que passou a ser um modelo adotado pelos grandes frigoríficos do País.
Também neste 2017, o Ministério da Agricultura conseguiu sanar uma das principais reclamações de importadores, que identificaram problemas no sistema de fiscalização e gestão. Uma atitude meritória foi a decisão de que não haverá mais interferência política na gestão da pasta.
A decisão valerá principalmente para as superintendências responsáveis por monitorar a produção agrícola nacional. Assim, os técnicos têm preponderância nas discussões internas, mas há a possibilidade de recursos para as empresas, para que elas não se sintam reféns de técnicos da esfera federal nesse processo. Como é sabido, tão somente 9% do território nacional é ocupado pela agricultura, e 13% é território indígena, as críticas contra o que alguns chamam de exploração agropecuária predatória não cabe mais em muitas regiões do País, como é, seguidamente, criticado. Também é sabido há muito, quando o campo vai bem, as cidades florescem. Ninguém conseguirá levar progresso, emprego e renda para as zonas urbanas à custa do empobrecimento rural.
O Rio Grande do Sul tem obtido ótimas safras nos últimos anos, ajudando na consolidação das contas públicas, simultaneamente ao ajuste fiscal em curso e que, espera-se, acabe por consolidar, ainda em 2017, o equilíbrio entre as receitas e as despesas da União e do Estado. O momento é oportuno para que, a par da atração de mais indústrias para o Rio Grande do Sul, também os pequenos produtores sejam incentivados a investir, recebendo financiamentos compatíveis em termos de juros e prazos, aplicando a modernização em suas lavouras e criação. A vocação gaúcha e brasileira ainda é a produção primária, sem desmerecer os setores secundário, a indústria, da mesma forma que os serviços, o setor terciário, o comércio em geral.
Vamos consolidar o País e o Estado como grandes e confiáveis produtores de alimentos, que disso ninguém, jamais, poderá abrir mão. Apoiar o agronegócio e a agricultura familiar não é uma atitude excludente. Pelo contrário, é complementar. O que não se pode é abordar o assunto através do viés ideológico. Aí, sim, a discussão descamba para atitudes ferrenhas do contra ou a favor e não se chega a nenhum lugar. Enfim, mesmo que, aqui no Rio Grande do Sul, o Produto Interno Bruto (PIB) tenha estacionado por conta de quedas na indústria e na agropecuária, é a prova de que ainda dependemos demais do setor primário. Historicamente, sempre foi assim.
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