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Porto Alegre, quarta-feira, 13 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 14/12/2017. Alterada em 13/12 às 18h42min

Ética e estética

Anna Maria Petrone Pinho
A imprensa e as redes sociais mostraram a batalha de ideias e opiniões que se instalou a favor e contra exposições de arte Brasil afora. Uns expressavam admiração e aplausos afirmando que a única juíza da obra de arte é a estética, que trata do belo na natureza e na arte. Uma obra de arte só permite duas classificações: bonita ou feia. Outros buscavam na ética, ciência da moral, os argumentos de sua contrariedade. Afirmavam que mesmo as manifestações artísticas devem obediência à moral e aos bons costumes.
É preciso considerar que uma pintura ou escultura são seres inertes, são coisas. Admiração ou contrariedade envolvem identificação. Admiração e contrariedade são sentimentos, projeções de quem os sente, uma transferência de quem os experimenta para o objeto. É um suporte narcisista que gera o sentimento de identidade ou de rejeição. Ninguém pode aplaudir apelos à pedofilia ou incitação de ódios, sejam de que forma se apresentam, mas quanto ao nu artístico, faz-se necessário uma reflexão.
Quando se faz referência ao corpo nu, não se pensa em braços, pés, pernas, mas na genitália. A genitália que representa perigo, que deve ser escondida, quase negada. Na genitália o pomo da discórdia.
A genitália em si não é erotizante nem pornográfica, é natural. O homem a associa a estímulos erotizantes, quando faz dela uso com fins lucrativos, por exemplo, quando explora o corpo feminino, quando desloca sua finalidade para sentimentos menores. O animal não esconde nem se escandaliza com sua nudez. Enfim, pensar diferente não é motivo para demonizações. É assim que construímos os quadros de reflexões sobre a vida. Assim como a ética e a estética convivem na Filosofia, as ideias e pensamentos qualitativamente diferentes devem conviver com respeito e aceitação mútua. Por isso ouso fazer este convite: esforcemo-nos por colocar os problemas onde eles devem ser colocados, em lugar de colocar os problemas de modo que caibam nas soluções que já trazemos conosco antecipadamente.
Advogada e professora de Psicologia
 
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