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Porto Alegre, terça-feira, 19 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Internacional

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Argentina

Notícia da edição impressa de 20/12/2017. Alterada em 19/12 às 21h04min

Protestos não impedem aprovação de reforma

Mauricio Macri pretende poupar 60 milhões de pesos em 2018

Mauricio Macri pretende poupar 60 milhões de pesos em 2018


/LAUREANO SALDIVIA/AFP/JC
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, comemorou, no começo da tarde de ontem, a aprovação da reforma da Previdência no país e criticou os atos de violência vistos nos arredores do Parlamento nos últimos dias. "Os atos de violência foram claramente orquestrados e premeditados, e serão investigados", afirmou Macri em coletiva de imprensa realizada na Casa Rosada.
A reforma da Previdência da Argentina foi aprovada na Câmara por 128 votos a favor, 116 contra e duas abstenções, após 17 horas de sessão.
Houve protestos nas ruas de Buenos Aires, que deixaram diversos feridos. "Respeito que há pessoas que acreditam que essas reformas não são boas. É ilógico haver unanimidade. Mas estou dizendo para que não duvidem das nossas intenções, porque estou convencido que essas mudanças vão ajudar as pessoas", disse o presidente. "Nós criamos uma fórmula que defende (os aposentados) da inflação e garante que eles ficarão em situação melhor. Nossa prioridade é cuidar dos aposentados", assegurou.
A legislação, que já havia sido aprovada no Senado e segue agora para a sanção de Macri, vai mudar a fórmula de cálculo dos benefícios previdenciários, com base na inflação em vez da taxa de crescimento salarial e do aumento das contribuições fiscais.
A reforma muda o cálculo de aposentadorias, de pensões e da Quota Universal por Filho - um programa de assistência social parecido com o Bolsa Família criado durante o kirchnerismo.
Antes, esse cálculo era reajustado a cada trimestre, usando vários índices, entre eles, a evolução dos salários e a arrecadação tributária. Agora, pretende-se usar apenas o índice de inflação, com reajuste semestral. O governo pretende poupar 60 milhões de pesos em 2018 por meio dessa nova legislação.
A sessão em que a reforma foi aprovada teve diversos incidentes do lado de fora do edifício do Congresso. Além da violência entre manifestantes e as forças de segurança, houve panelaço em vários bairros de Buenos Aires. No começo da manhã de ontem, segundo dados oficiais, havia 162 feridos - entre eles, 88 policiais - e 61 pessoas detidas.
Por volta das 23h de segunda-feira (meia-noite no horário de Brasília), começou a ouvir-se, em vários bairros, ruídos de panelas. O famoso "cacerolazo" (panelaço) se espalhava pela capital argentina. Ainda nesse horário, uma pequena multidão se juntou na avenida 9 de Julio e, dali, caminhou junta até a frente do Congresso, batendo panelas. A essa hora, já não eram as organizações de trabalhadores ou sindicatos, que tinham se dispersado devido às ações das forças de segurança, mas sim famílias e cidadãos comuns.
"Não estou acreditando que isso está acontecendo. E nós confiamos neles", dizia o aposentado Juan Neri, que afirmou ter votado nos legisladores da aliança Cambiemos, mas que hoje estava decepcionado. "Vivemos das aposentadorias minha e da minha mulher. Agora, ambas vão diminuir, e vamos ter de pedir ajuda aos nossos filhos", lamentou.
 
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