Sobre o Autor
Luciana Bueno, jornalista, foto Arquivo Pessoal
fecha:30-11-2017.  En O Cebreiro, Pedrafita do Cebreiro, Lugo, Luciana Bueno Santos, peregrina originaria de Rio Grande do Sul, Brasil, discurre por el Camino Frances de Santiago. Fotos:Carlos Castro Foto: /CARLOS CASTRO/DIVULGAÇÃO/JC

Luciana Bueno Santos

estudante de Psicologia Transpessoal e especialista em Comunicação

Em 2017, de executiva à peregrina

O Caminho de Santiago entrou na minha vida pela porta dos fundos. Não esperava para este ano, tampouco tão cedo nesta passagem terráquea. Numa palestra, no ano passado, escutei sobre uma pessoa que estava fazendo e vislumbrei: "Uau! Um dia, irei!". Na manhã de 14 de setembro, estava numa reunião gerencial com diretores na empresa no qual trabalhava há quatro anos. Tocou meu WhatsApp. Era a secretária do meu chefe marcando horário para conversarmos à tarde. Ele estava na minha frente, escutando nossos últimos resultados, no qual eu apresentava com muito êxito as entregas da minha área de Comunicação. Por um momento, pensei: "O que ele quer comigo? Não temos pendências". Não consegui voltar a me concentrar sem antes pensar: "Será que vou ser demitida?".
Cinco semanas depois, embarcava para a Espanha com a missão de cruzar, de ponta a ponta, o Norte daquele país numa marcha a começar na França e se encerrar em Santiago de Compostela, quase com Portugal. Precisaria caminhar 20 quilômetros por dia, por 40 dias, para chegar na Catedral de Santiago e alcançar minha meta de realizar o tradicional e milenar Caminho Francês, uma caminhada de 799 quilômetros. Decidi começar em 25 de outubro, como uma simbologia de sucesso para a peregrina que me tornava. Todo 25 é comemorado o dia de São Tiago, o apóstolo querido de Jesus Cristo, primeiro a beber do seu cálice e responsável por fincar o Cristianismo na Península Ibérica. Comecei em Saint-Jean-Pied-de-Port, na França, atravessando os Pirineus, montanhas com picos superiores a 1,4 mil metros de altitude, num típico dia de outono europeu, com sol e temperatura de 10 graus.
No pouco tempo prévio que tive, busquei o básico para a conquista da minha jornada. Me aproximei da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago no RS (Acasargs), entrei para um grupo de WhatsApp do Caminho Francês, conversei com experts e foquei em três pontos: ter uma mochila leve, botas impermeáveis (com número maior do que o meu) e roupas próprias para dias frios. Completei o percurso em 41 dias, entre trajetos de sete a 28 quilômetros/dia, numa atmosfera de alegria e intensidade.
Entre tantas vivências, a certeza que o caminho é como a vida. Há momentos de entrega e doação, outros leves, com fluidez, mas não podemos parar. Temos de seguir em frente, onde quer que estejamos. Aproveitei um caminho aberto, de forma não planejada, para desbravar outro, como uma oportunidade de crescimento e superação. Temos surpresas e desafios diários, e, sempre, podemos colocar uma intenção e seguirmos adiante.
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