Porto Alegre, quinta-feira, 21 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

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África

Notícia da edição impressa de 22/12/2017. Alterada em 21/12 às 19h40min

Governos instáveis continuam desencadeando guerras civis no continente africano

Daniel Sanes
A debilidade do Estado e a falta de legitimidade das instituições são, de acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos, sediado em Londres, os principais motivos para a deflagração de conflitos armados na África. Dizer que a história se repete, nesse caso, não é uma hipótese, mas um fato. Da África do Sul ao Zimbábue, praticamente todos os países do continente vivenciaram anos de guerra civil, impulsionados diretamente pelo processo de colonização e (in)dependência.
Os numerosos conflitos na África - incluindo República Centro-Africana, Sudão do Sul, Somália, Nigéria e República Democrática do Congo - produzem, somados, um deslocamento de refugiados ligeiramente menor que no Oriente Médio. São milhões, mas o mundo só voltou os olhos para esse drama nos últimos anos, com a frequência de naufrágios de embarcações de imigrantes lutando para chegar à Europa em busca de uma chance para recomeçar suas vidas.
Além do passado de subjugação e governos ditatoriais, a África tem visto, nos últimos anos, o crescimento do poderio do Boko Haram, que prega contra a influência do Ocidente sobre a juventude muçulmana. O grupo terrorista atua em diversas nações, mas tem sua base na Nigéria, país mais populoso do continente.
Além de combater a herança da colonização britânica, o grupo busca, também, a implementação da Xaria, a lei islâmica. Para isso, adota métodos radicais, como atentados e sequestros - no mais famoso, em 2014, invadiu uma escola, na cidade de Chibok, sequestrando 276 meninas para escravizá-las, vendê-las ou mesmo utilizá-las em ataques suicidas. Embora já tenha libertado várias reféns e perdido alguns territórios, o Boko Haram ainda é uma ameaça significativa, especialmente para o povo nigeriano.
Já a República Centro-Africana, localizada no coração da África, sofre com a violência de milícias Séléka, alegadas defensoras da minoria muçulmana que derrubaram o presidente François Bozizé. O país é o provável destino das tropas brasileiras que, por 13 anos, integraram a Minustah, a missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti. A situação do país é agravada pela violência sectária: movimentos radicais cristãos chamados anti-Balaka formaram milícias, e disputas entre clãs se tornaram frequentes. A guerra civil completa cinco anos deixando 2,3 milhões de pessoas - mais de metade da população do país - em necessidade de ajuda humanitária, pelo menos 1,1 mil mortos e nenhuma perspectiva de paz em curto prazo.
 
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