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Porto Alegre, segunda-feira, 25 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Energia

Notícia da edição impressa de 26/12/2017. Alterada em 25/12 às 22h25min

Conta de luz subirá mais do que inflação em 2018

Para região Sul, tarifaço vai pesar ainda mais no bolso, com alta prevista de até 10,7%

Para região Sul, tarifaço vai pesar ainda mais no bolso, com alta prevista de até 10,7%


/JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Se as perspectivas se confirmarem, a eletricidade voltará a impactar o bolso dos brasileiros em 2018. A tendência é de que o consumidor residencial terá de lidar com dois anos de reajustes na energia bem acima da inflação.
As causas são um regime de chuvas insuficiente para compensar períodos de seca, o que fará com que as termelétricas que têm uma geração mais cara sejam ativadas, e o aumento dos encargos sociais. Na média, as tarifas devem fechar o ano com alta de 14% e subir 9,4% em 2018, contrastando com a inflação - a expectativa é que o IPCA fique abaixo de 3% em 2017 e em 4% no ano que vem. No Rio Grande do Sul, recentemente, parte dos gaúchos atendidos pela CEEE-D está sob reajuste ordinário de 30,62%.
Em algumas regiões, as tarifas podem pesar ainda mais no bolso, segundo levantamento da consultoria especializada da TR Soluções. Na média, a maior alta deve ser registrada na região Sul (10,7%), seguida pelo Sudeste (9,3%). Em São Paulo, por exemplo, a conta de luz deve fechar este ano 7% mais cara e subir outros 9,1% em 2018.
A energia elétrica deve também ter um efeito não desprezível de 0,4 ponto percentual sobre a inflação medida pelo IPCA do ano que vem. A previsão da TR inclui algumas premissas: as diferentes bandeiras esperadas ao longo do ano, os reajustes previstos para as principais distribuidoras e o regime de chuvas para o período. As projeções são feitas para 13 regiões metropolitanas usadas como referência e que espelham o que ocorre no País. De janeiro a abril - período considerado chuvoso -, as principais hidrelétricas brasileiras devem gerar, em média, o equivalente a 85% da energia que vendem, de acordo com a TR. Isso significa dizer que, se as chuvas não ajudarem e as geradoras produzirem algo abaixo disso, as tarifas poderão subir ainda mais.
Além do regime de chuvas, os encargos incluídos na tarifa também explicam as previsões pouco animadoras. A conta que inclui todas as políticas públicas ligadas ao setor, como o programa Luz para Todos e a tarifa social de energia - chamada de CDE -, deve passar de R$ 9,3 bilhões neste ano para R$ 12,6 bilhões em 2018. Quem paga a fatura - tema que está em audiência pública na Aneel, a agência reguladora - é o consumidor. Embora concordem que o quadro é dramático, analistas descartam ameaça de racionamento. Eles dizem que a usina de Belo Monte já opera em ritmo razoável e que o País dispõe de outras fontes de energia. Uma delas, a energia térmica, mais cara, está entre as justificativas para o encarecimento da conta.
O crescimento econômico é outro ponto de atenção para os especialistas. O consumo total de energia do País está em nível próximo ao registrado em 2014, e o setor se questiona como a demanda deve se comportar em um ambiente de retomada da economia - e seu impacto na tarifa, já que maior procura por energia a encarece. A consultoria GV Energy, por exemplo, prevê que a tarifa média de energia suba ao redor de 12% no ano que vem, diante de um volume de chuvas que deve se situar entre 90% e 100% da média histórica até o fim de abril.
O diretor da GV Energy Pedro Machado diz que o viés é de alta se o crescimento econômico superar 2,6%. A mediana dos economistas consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central, já espera alta de 2,7% para o PIB do ano que vem.

Abrace manifesta preocupação com custos para a indústria

Santana cita baixos níveis dos reservatórios do Nordeste e Sudeste

Santana cita baixos níveis dos reservatórios do Nordeste e Sudeste


/ANTONIO PAZ/ARQUIVO/JC
O presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Edvaldo Santana, também se preocupa com o efeito de um possível aumento do consumo de energia sobre preços - em especial, para a indústria. Os principais reservatórios no Nordeste e no Sudeste, ressalta Santana, estão nos níveis mais baixos da história. Segundo ele, se chover próximo à média de longo prazo, o reajuste pode ficar mais perto de 20%. Para afastar esse cenário, seria preciso chover de 30% a 40% acima da média.
O pesquisador do Ibre/FGV Júlio Mereb argumenta que tarifas mais altas podem se refletir em queda da produção da indústria, além de impactar de alguma forma o consumo das famílias no PIB, embora isso seja difícil de mensurar. O analista diz que é possível um reajuste da tarifa residencial de até 15% no ano que vem.
O coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Edilson Deitos, também prevê tarifas mais altas para 2018. O empresário credita esse cenário a uma política equivocada adotada para o setor elétrico nos últimos anos. Um exemplo disso, cita o dirigente, foi a difusão de hidrelétricas a fio d'água, que têm menores impactos ambientais, mas não contam com reservatórios para estocar energia. Deitos acrescenta que o Brasil não pode virar as costas para a geração a carvão, como vem fazendo. O integrante da Fiergs adianta que a alta da energia impacta a competitividade das empresas, e a elevação acaba sendo repassada para os produtos finais.
No Rio Grande do Sul, os reajustes das três grandes distribuidoras de energia (RGE Sul, RGE e CEEE-D) em 2017 foram bem distintos. Enquanto a RGE Sul teve, em abril, uma redução média de -6,43%, a RGE, em junho, teve incremento de 5%, e a CEEE-D teve, neste mês de dezembro, homologado um aumento de 30,62%. Deitos comenta que a estatal, devido ao período do reajuste, teve sua tarifa mais impactada pelo repasse da geração termelétrica. Recentemente, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) determinou urgência no exame do pedido da OAB-RS para suspender o reajuste da conta de luz dos clientes da CEEE-D. O aumento está em vigor desde quinta-feira.
 
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