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Porto Alegre, quinta-feira, 21 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Debate

Notícia da edição impressa de 21/12/2017. Alterada em 21/12 às 13h30min

Economistas antecipam perspectivas para 2018

Jornal do Comércio reuniu especialistas para traçar cenários sobre economia e política no Estado e no País

Jornal do Comércio reuniu especialistas para traçar cenários sobre economia e política no Estado e no País


/MARIANA CARLESSO/JC
Roberta Mello
Um cenário de retomada da atividade econômica, mas cheio de incertezas, principalmente devido às dúvidas em torno do resultado das eleições, deve marcar os próximos 12 meses. Esta foi a análise dos participantes da última edição do ano do espaço de debates Conexões de Negócios, promovido pelo Jornal do Comércio, na segunda-feira (18), em sua sede.
O debate, com cinco painelistas, abraçou o tema Perspectivas para 2018. O painel com lideranças e importantes nomes da área econômica buscou antecipar cenários, diagnósticos e reflexões político-econômicas para 2018. As perspectivas para a economia e para a política em 2018 estão esmiuçadas também no Caderno Perspectivas, que circula na edição do JC desta sexta-feira.
Em discurso de apresentação, o presidente do JC, Mércio Tumelero, destacou o caráter inovador da iniciativa e saudou o público que lotava o Espaço de Eventos do JC. "Passamos por um período difícil, mas a economia está retomando seu rumo, o que é um alento. Em todos esses anos, nunca paramos de investir e continuaremos investindo em todas as plataformas", enfatizou Tumelero.
> Confira como foi o Conexões de Negócios e as apostas para 2018:
Para o diretor de operações do JC, Giovanni Tumelero, a promoção do Conexões de Negócios funciona como uma extensão do conteúdo do jornal. "A ideia dos encontros é promover mais uma forma de aproximação com os leitores", reforçou.
Após apresentar uma breve descrição do cenário político e econômico ao longo de 2017, a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, frisou que o consumo das famílias será o grande impulsionador da retomada. "O Brasil enfrentou sua mais profunda crise nos últimos dois anos. A atividade econômica começa a ganhar impulso, o que aumenta a confiança e estimula o comércio varejista e os serviços", determinou.
Responsável por analisar o motor do crescimento nacional e regional, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, estimou que o índice de desenvolvimento promete não ser tão positivo quanto em 2017, pois não se pode contar com um cenário "tão perfeito". "O clima não deve ser tão generoso, e só a queda na safra já deverá fazer com que o PIB nacional recue", reforçou o também Economista do Ano 2017.
Já a indústria vem enfrentando dificuldades para competir interna e externamente, pontuou o economista-chefe da Fiergs, André Nunes. Para o representante da mais importante entidade representativa dos industriais do Estado, "é preciso concretizar as reformas previstas para aumentar a produtividade e para que o País não estacione".
As reformas propostas pelo governo de Michel Temer, principalmente a da Previdência, também foram defendidas pelo diretor financeiro e de relações com os investidores do Banrisul, Ricardo Hingel. Para o especialista, "o nível de investimento atual é muito baixo, a carteira de desenvolvimento da instituição está muito menor, e a deterioração patrimonial das empresas preocupa".
Assim como a saúde financeira das empresas é preocupante, a dos entes federados também. O presidente da Famurs, Salmo Dias, reivindicou a inversão do pacto federativo e do sistema centralizado na capital dos estados e a maior valorização das gestões municipais como soluções para, inclusive, diminuir os gastos públicos. "O municipalismo é a grande forma de fazer gestão pública de qualidade a custo menor. As obras municipais custam 40% menos do que as realizadas pelos estados ou União, e os municípios são mais fiscalizados", salientou Dias.
O dirigente lembrou, ainda, que a Lei de Improbidade Administrativa vale apenas para os prefeitos. "O governo federal vai fechar o ano com déficit de R$ 159 bilhões. O Estado, com rombo de R$ 6 bilhões. Isso não vale para os municípios", ressaltou.
Após a explanação dos convidados, o espaço foi aberto à participação do público presente e aos que assistiam à transmissão ao vivo do encontro pelas redes sociais. A mediação do painel foi do editor de Economia, Luiz Guimarães.

Homenagem especial distinguiu sete entidades do Rio Grande do Sul

Representantes de diversos setores foram agraciados por sua contribuição à economia gaúcha

Representantes de diversos setores foram agraciados por sua contribuição à economia gaúcha


/MARIANA CARLESSO/JC
Além do painel Conexões de Negócios, o Jornal do Comércio homenageou, durante o evento, sete entidades gaúchas que se destacaram em suas áreas de atuação. Receberam a distinção o presidente da Fiergs, Gilberto Petry; o presidente da Fecomércio, Luiz Carlos Bohn; o presidente da Agas, Antonio Cesa Longo; o presidente do Sindilojas, Paulo Kruse; o presidente do Sindiatacadistas, Zildo De Marchi; o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes; e a gerente de Marketing do Sebrae-RS, Ana Finkler.
Os premiados receberam, das mãos do presidente do JC, Mércio Tumelero, um certificado com a mensagem de perspectivas positivas para que as lideranças empresariais e políticas sigam fortes e unidas no desenvolvimento sustentável do Estado e do País. O reconhecimento reforça a importância e a força dessas entidades no desenvolvimento e na construção de uma economia sólida. 

Patrícia Palermo

Patricia Palermo, economista da Fecomércio

Patricia Palermo, economista da Fecomércio


MARIANA CARLESSO/JC
Após um 2017 de recuperação econômica, mas cercado por uma atmosfera de incertezas políticas em torno do mandato do presidente Michel Temer, principalmente após a delação do empresário Joesley Batista, a economista-chefe da Fecomércio/RS, Patrícia Palermo, prevê que, em 2018, o desafio será enfrentar as eleições. Por outro lado, Temer terá maior tranquilidade para governar.
O ano se encerra com queda na inflação e na taxa de juros. "Com isso, a atividade econômica começa a ganhar ritmo, o que faz com que as pessoas permaneçam com seu nível de confiança em alta, estimulando o comércio e os serviços", estimou Patrícia.
Para a profissional escolhida Economista do Ano em 2016, as maiores consequências do resultado das eleições serão observadas a partir de 2019. Logo, no ano que vem as atenções devem se voltar à manutenção do ritmo de recuperação e ao aumento da produtividade. "Surpreende o fato de que o PIB caiu, mas o emprego caiu em volume menor. Isso é sinal de que há ociosidade", explicou.

André Nunes

André Nunes, economista da Fiergs

André Nunes, economista da Fiergs


MARIANA CARLESSO/JC
O setor industrial vem sofrendo especialmente com os altos custos para produzir no país. "Muitas vezes, a própria indústria acaba importando certos produtos por não ter como lidar com o preço praticado no mercado interno. Com isso, acaba alimentando o ciclo de desindustrialização", lamentou o economista-chefe da Fiergs André Nunes.
Nunes informou que a capacidade de produção gaúcha, conforme pesquisas do IBGE, não tem aumentando há 20 anos e que o Estado deve encerrar o ano 24% abaixo do seu pico. "2018 deve ser melhor do que 2017 e assim sucessivamente, mas quando pensamos em um ciclo de crescimento de longo prazo, ainda existe uma incógnita muito grande. Será que não vamos ocupar a capacidade ociosa da indústria?", questionou o economista, para quem enfrentar as reformas é crucial.

Antônio da Luz

Antônio da Luz, economista da Farsul

Antônio da Luz, economista da Farsul


MARIANA CARLESSO/JC
O agronegócio, por sua vez, vem funcionando como impulsor da economia brasileira. Intimamente ligado ao mercado internacional, o setor respondeu, em 2017, por 12,41% do crescimento brasileiro e por 9% do crescimento gaúcho. Uma importante aliada para chegar a esses resultados é a tecnologia, cada vez mais presente no campo. Os entraves para que esses números não sejam ainda maiores são as dificuldades logísticas e os altos custos de produção.
Em 2018, o crescimento no setor promete ser mais tímido. Entretanto, segundo o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, "o Brasil precisa crescer, pois já está ficando para trás dos países desenvolvidos". Da Luz salienta que o agronegócio já vem perdendo competitividade devido aos altos custos de produção. "Estamos preocupados com os gastos públicos. Precisamos mudar os sistemas tributários, previdenciários. Olhar o que não deu certo em outros países e copiar", comentou.

Ricardo Hingel

Ricardo Hingel, diretor financeiro do Banrisul

Ricardo Hingel, diretor financeiro do Banrisul


MARIANA CARLESSO/JC
Afirmando que encaramos o final de um processo recessivo inédito no país, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Banrisul, Ricardo Hingel, determinou que é também chegado o momento de total esgotamento de um modelo de estado provedor. "Desde o ex-presidente José Sarney, tivemos uma sequência de dirigentes que só fizeram aumentar a carga tributária do país", afirmou Hingel.
Para ele, a previdência talvez seja o maior exemplo disso e tenho acabado por acelerar os gastos públicos levou à presente crise nas finanças dos estados e municípios. No caso do Rio Grande do Sul, lembrou o economista, mais da metade da despesa corrente mensal é usada para o pagamento da previdência. "O déficit da previdência estadual chega a R$ 300 bilhões, equivalente a três vezes o dispêndio da folha de pagamento dos servidores. Mexer na previdência não é retirar direitos, mas acabar com privilégios", salientou.

Salmo Dias

Salmo Dias, presidente da Famurs

Salmo Dias, presidente da Famurs


MARIANA CARLESSO/JC
Os estados e municípios enfrentaram dificuldades inclusive para honrar o pagamento do funcionalismo público e, alguns, encerram o ano com contas no vermelho. "Este ano foi muito difícil, muito embora 92% dos prefeitos gaúchos tenham feito tudo o que podiam, cortando gastos com cargos de confiança e, até mesmo, diminuindo o expediente", resumiu o presidente da Famurs, Salmo Dias de Oliveira.
Dos 497 municípios gaúchos, 54% não poderão fechar suas contas e 4% terão de realizar empréstimos junto ao Banrisul para quitar débitos com o 13º dos servidores. Como explicou Oliveira, apenas 18% da arrecadação federal retorna aos municípios (aos estados cabem outros 25% e à União, 56%). "Em 2018 esperamos ter menos Brasília e mais os municípios brasileiros", demandou Oliveira.
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