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Porto Alegre, domingo, 17 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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reforma da previdência

Alterada em 17/12 às 19h01min

Campanhas contra proposta usam fake news

Ao longo do ano, as discussões sobre a reforma da Previdência ganharam as redes sociais com informações questionadas pelos economistas. "Querem que você morra sem se aposentar", dizia um vídeo narrado pelo ator Wagner Moura. Na animação, do movimento Povo sem Medo, era criticada a determinação de uma idade mínima para aposentadoria mais alta do que a expectativa de vida em estados do Norte e Nordeste.
Paulo Tafner, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), diz que as diferenças regionais de expectativa de vida ao nascer não são relevantes nesse caso. "Um cidadão do Piauí e um de Santa Catarina, quando nascem, têm uma diferença de dez anos na esperança de vida. Mas aos 60, a diferença é de três anos."
A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) também divulgou vídeos e textos contrários à reforma. Um deles apontava mais de 500 empresas, fundações, Estados e municípios com dívidas com a Previdência de R$ 426 bilhões - quase três vezes o déficit em 2016, de R$ 149,7 bilhões.
O professor da PUC-Rio José Márcio Camargo, lembra que a conta é alta por incluir dívidas de empresas falidas, como a Vasp. "É um processo longo na Justiça e resolveria o déficit por um ano, mas o problema voltaria em seguida." Vanderley Maçaneiro, da Anfip, rebate. "A maioria das devedoras está em atividade e a cobrança seria educativa para que menos empresas devessem à Previdência."
Os anúncios não vieram apenas de quem era contra a reforma. No perfil do PMDB no Facebook, uma postagem dizia que se a reforma não passasse, o Bolsa Família e o Fies seriam cortados. Segundo o especialista em finanças públicas Raul Velloso, mesmo com déficit, o governo pode realocar recursos para manter os programas. 
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