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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Logística

Notícia da edição impressa de 15/12/2017. Alterada em 14/12 às 21h15min

Rumo quer ampliar a concessão por 30 anos

Recursos seriam aplicados em melhorias de condições das linhas

Recursos seriam aplicados em melhorias de condições das linhas


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Patrícia Comunello
A Rumo, concessionária da malha ferroviária gaúcha, condiciona investimento que pode ultrapassar R$ 1 bilhão em melhorias à antecipação da renovação do contrato de concessão que expira em 2027. O vice-presidente da companhia - que substituiu a América Latina Logística (ALL) na operação em 2015 -, Darlan Fábio de David, explicou, em Porto Alegre, que a renovação é decisiva para garantir o retorno do investimento pretendido.
A empresa entrará, em 2018, com pedido na Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) para renovar o prazo para mais 30 anos, além de 2027, levando o término a 2057, informou David, que se reuniu, nesta quinta-feira, com representantes da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e governo estadual para tratar de demandas e repassar planos.   
O recurso para restabelecer a capacidade e melhorar as condições das linhas existentes ampliando volume de carga é avaliado em mais de R$ 1 bilhão. A fonte do capital seria a dona da Rumo, a Cosan, e captação no mercado de títulos, alguns lançados no exterior, detalhou o executivo. Recursos não seriam problema, diz o executivo. "A gente trabalha para que a renovação do contrato seja feita antecipadamente para ter retorno do investimento", explicou David. O contrato vence em 2027. "Estamos vislumbrando a renovação para fazer investimentos maciços no Estado", mas as necessidades de aplicação seriam muito maiores, segundo o executivo.
Para substituir trilhos, reformar dormentes e comprar locomotivas e vagões para o ramal Cruz Alta e Rio Grande, que é o principal corredor de transporte de grãos, a cifra seria superior a R$ 1,5 bilhão, o que estaria em uma visão de longo prazo. "Cada locomotiva custa R$ 12 milhões, e um vagão eficiente, R$ 450 mil. Em uma composição, tem-se duas locomotivas e 80 vagões", exemplifica David. Os ativos da companhia no Estado somam 65 locomotivas e 1,2 mil a 1,3 mil vagões em operação. "Ao olharmos o futuro, podemos chegar a um parque de locomotivas de quase 200 máquinas e quase 5 mil vagões", dimensionou David.   
O dado, que foi apresentado em reunião com a Farsul e o Estado, seria de que a ferrovia responde por 3% do transporte de produtos na malha total. Nos grãos, o transporte pela ferrovia chegou a 3 milhões de toneladas neste ano, alta de 34% frente a 2016, que foi de 2,4 milhões de toneladas. Para 2018, a meta é de 3,5 milhões de toneladas. A ideia é alcançar entre 12 milhões e 15 milhões de toneladas de grãos sobre trilhos, elevando a participação a 40% do volume no agronegócio, disse o vice-presidente. A nova concessionária investiu, em dois anos e meio, cerca de R$ 150 milhões na malha gaúcha, sendo R$ 50 milhões em 2015 e pouco mais de R$ 100 milhões neste ano. Para 2018, a aplicação deve ficar entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões.
O foco da operação é retomar clientes e elevar o transporte, disse David, admitindo sucateamento da malha. Ele associou as deficiências à herança do contrato da ALL, antiga operadora, que ficou 10 anos sem investir, apontou o executivo. Em dois anos e meio que assumiu a rede na região Sul, serão finalizados aportes de mais de R$ 2 bilhões, com foco maior no Paraná, que faz escoamento até o porto de Paranaguá. No Rio Grande do Sul, a prioridade de melhoria foi a ligação ferroviária de Cruz Alta e Rio Grande.   
Na reunião, houve acerto de algumas tratativas que já vinham sendo feitas. O Estado foi dividido em três polos, que terão um líder de segmento produtivo para apresentar as necessidades. Algumas das ações já devem ser implementadas em 2018 e 2019, adiantou o executivo. Além de grãos para o porto do Rio Grande, também será visto o escoamento de arroz para São Paulo.
 
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