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Porto Alegre, quarta-feira, 13 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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opinião

Notícia da edição impressa de 14/12/2017. Alterada em 13/12 às 21h54min

Além das reformas

Benjamin Steinbruch
O ano deve terminar com inflação bem inferior à meta de 4,5%, certamente abaixo de 3%. E isso não é motivo para comemoração. É apenas uma prova de que o choque de juros foi além do necessário, um sinal evidente de erro na implementação de política.
A autoridade monetária terá de explicar formalmente ao ministro da Fazenda, ao presidente da República e ao País por que cometeu esse erro, que custou mais recessão, mais desemprego e mais desalento para as famílias brasileiras.
A sociedade espera que o conservadorismo e a teimosia não adiem também desnecessariamente a volta do crescimento da produção e do emprego. O D do Bndes significa desenvolvimento. É preciso que esse banco estatal, assim como os outros bancos do Estado e outras entidades públicas e privadas provedoras de crédito, passe a financiar com garra os investimentos e o consumo, com juros civilizados e sem preconceitos ideológicos.
A reforma da Previdência é importante, assim como a tributária e a trabalhista. Mas é uma ilusão achar que, feitas essas reformas, tudo estará resolvido. Para retomar o crescimento continuado, a economia precisa de atitudes ofensivas, muito além das reformas defensivas.
Dado importante, também divulgado pelo IBGE, mostra o investimento começando a voltar: cresceu 1,6% de julho a setembro, pela primeira vez em 15 trimestres. Outros números indicam que a indústria de bens de capital, melhor termômetro para os investimentos, cresceu 1,1% em outubro em relação a setembro e 14,9% na comparação com outubro do ano passado. São sinais de que o setor privado, animado pelo aumento do consumo das famílias, já se prepara para aumentar a produção.
Na medida em que a economia brasileira começa a se recuperar lentamente de seu primeiro grande trauma do século XXI, cada vez mais nos convencemos de uma realidade incontestável: o país perdeu alguns pontos a mais do PIB do que seria necessário para retomar o caminho do crescimento. E também alguns milhões de empregos. Tudo isso por puro conservadorismo.
Agora, como mostrou reportagem desta Folha, a estatística oficial indica que a recessão, iniciada no segundo trimestre de 2014 e estendida até o último trimestre de 2016, fez a economia encolher 8,2%. Esse vexame econômico é um pouco menor do que o de 1989-1992 e o de 1981-1983, quando o PIB encolheu, respectivamente, 8,6% e 8,5%. Mas é maior do que o decorrente da Grande Depressão norte-americana, em 1930-1931, biênio em que a produção baixou cerca de 5,5%.
Esses números, na verdade, são curiosidades estatísticas. O da década de 1930, por exemplo, é uma estimativa, porque, naquela época, não havia dados nacionais suficientes para um cálculo exato da produção interna.
Eles devem ter ficado frustrados quando o IBGE anunciou os números do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, dias atrás, com a revisão dos dados de 2016. Foi uma alteração ligeira. Em vez de 3,6%, a economia caiu 3,5%. No início do mês passado, outra revisão já havia atenuado um pouco a retração de 2015, de 3,8% para 3,5%.
Essas revisões são normais e, em geral, promovem alterações mínimas. Nos casos de 2015 e 2016, porém, as atualizações foram suficientes para mudar o ranking das recessões.
Por mais que tenham se esforçado, os defensores da política de juros na lua não conseguiram quebrar o recorde do campeonato das recessões brasileiras.
Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa
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