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Porto Alegre, terça-feira, 12 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 13/12/2017. Alterada em 12/12 às 21h45min

PIB gaúcho no terceiro trimestre decepciona

Patrícia Comunello
Antes de firmar uma retomada, após quase três anos de queda da atividade, o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul mostrou resistência e acabou não tendo nenhum crescimento no terceiro trimestre de 2017. O indicador, apurado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) e divulgado ontem, em Porto Alegre, ficou zerado frente ao mesmo período de 2016, que é a comparação destacada pela FEE por confrontar condições semelhantes da atividade. A própria equipe do Núcleo de Contas Regionais da entidade admitiu que o resultado decepcionou.
Desta vez, indústria e agropecuária foram mal, e o período foi salvo de maiores estragos pelo comércio, que avançou 6,4%, turbinando o grande setor de serviços, com saldo de 1,6%. O Estado acabou ficando atrás da média nacional, já que o PIB do Brasil cresceu 1,4%. O setor primário caiu 6,6%, e a indústria, outros 2,2%. O Valor Adicionado Bruto (VAB) recuou 0,1%, já os impostos líquidos subiram 0,3%. No Brasil, os impostos avançaram 2,5%, e o VAB, 1,2%. Já agropecuária subiu 9,1%; indústria, 0,4%; e serviços, 1%.
Rocha explica que a taxa do comércio foi a maior desde o primeiro trimestre de 2014. "O crescimento reflete a melhoria na massa de rendimentos e da ocupação, e maior acesso ao crédito", aponta o economista. No comércio, nove dos 11 setores monitorados tiveram altas, sendo a maior, de 36,7% de tecidos e vestuário, seguida de 35,3% de veículos, setor que tenta recompor mercado após três anos de queda. Materiais para escritório aumentaram 31,9%, e eletrodomésticos, 22,1%.
Segundo o coordenador das contas regionais, a agropecuária gaúcha caiu principalmente devido ao desempenho negativo do campo. O terceiro trimestre não tem o impulso da produção de grãos, como soja, que é o carro-chefe do segmento e que sustentou a evolução do PIB no primeiro semestre. Na atividade industrial, o ramo de transformação caiu 0,8%, interrompendo três trimestres de crescimento.
O principal vilão do desempenho adverso foi o setor de celulose, papel e produtos de papel, que caiu 35,7%. O segmento, que depende de um único grande fabricante, sofreu com a parada de uma das plantas da Celulose Riograndense, em Guaíba. O defeito em uma das caldeiras, justamente da unidade nova e que elevou a capacidade de 450 mil toneladas para 1,8 milhão de toneladas de celulose, forçou a paralisação entre agosto e novembro. "Se não tivesse a celulose, tinha sido positivo", garantiu o economista, a respeito do impacto. Mas, na indústria, teve mais quedas, como 11,5% em coque e derivados de petróleo, e 4,9% em veículos. Já fumo cresceu quase 70%. 

Atividade econômica do Rio Grande do Sul pode fechar 2017 com alta entre 0,8% e 1,3%

A um trimestre de fechar o ano, o coordenador do Núcleo de Contas Regionais da FEE, o economista Roberto Rocha, vislumbra que o PIB poderá fechar no intervalo de 0,8% a 1,3% e acredita que a economia regional poderá se dar melhor que a nacional. A avaliação se assenta no desempenho nos dois primeiros trimestres da temporada de 2017. A economia gaúcha havia acumulado dois trimestres de altas - 1,5% de janeiro a março, e 2,2% de abril a junho.
Esse último índice passou por leve revisão, pois chegou a ser anunciado com alta de 2,5% em setembro. O acumulado do ano está em 1,3%, e, em quatro trimestres, 0,8%. Os números são importantes, pois, entre 2014 e 2016, foram 11 trimestres seguidos de queda. O mergulho mais acentuado foi no final de 2015, quando o PIB gaúcho chegou ao piso de 6,9% no último trimestre do ano.
Ao examinar dados que já despontam dos últimos meses, a indústria não vem bem, com queda, segundo o IBGE no indicador da Pesquisa Industrial Mensal (PIM). Por isso, Rocha mantém as apostas na demanda no varejo. Até o anúncio do governo gaúcho de que pretende fazer empréstimo para pagar o 13º do funcionalismo pode influenciar no resultado. "No fim de 2016, não houve pagamento, e isso fez estragos", observou. O que pode atrapalhar, também, é o fato de o mercado de trabalho perder produtividade, pois tem gerado vagas informais, enquanto o setor formal ainda acumula perdas no ano, analisou o economista. 
O secretário adjunto da Fazenda do Estado, Luiz Antônio Bins, evitou, ontem, projetar como deve fechar a arrecadação deste ano, citando que há ingressos importantes em diversas datas de dezembro. Bins citou que, neste ano, não houve sucesso em antecipações de pagamentos de contratos de incentivos como da General Motors, conforme ocorreu em 2015 e 2016. O governo decidiu levar ao pregão eletrônico a possibilidade de fazer a cessão onerosa de recebíveis de responsabilidade da GM. "O valor vai depender do mercado", condicionou o secretário.   
Na divulgação do PIB, a incerteza sobre o futuro da FEE, extinta por lei estadual em janeiro,  voltou à pauta. Rocha citou que houve temor de que, ao longo do ano, não houvesse equipe para produzir os indicadores. Liminar obtida na Justiça do Trabalho acabou suspendendo as demissões que atingiriam boa parte dos analistas e pesquisadores ligados às contas regionais. Mas o ano de 2018 deve elevar a incerteza. "Sobre risco de continuidade? Quem poderia responder não está aqui", reagiu Rocha, diante de questionamentos e referindo-se à direção da fundação. A data da efetivação da extinção é 17 de abril.
O Jornal do Comércio apurou que a Fundação Getulio Vargas (FGV) fez sondagem no Estado sobre custos para assumir tarefas do órgão. O governo já disse que quer contratar do setor privado muitas pesquisas e estudos que são hoje liderados e desenvolvidos pela FEE, como o PIB.
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