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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Política

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Rio de Janeiro

Notícia da edição impressa de 23/11/2017. Alterada em 22/11 às 21h41min

PF prende ex-governadores Garotinho e Rosinha

Ex-governador Anthony Garotinho é levado preso por agentes da PF para o presídio em Benfica

Ex-governador Anthony Garotinho é levado preso por agentes da PF para o presídio em Benfica


FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL/JC
A Polícia Federal (PF) cumpriu na manhã desta quarta-feira mandados de prisão preventiva contra os ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, ambos do PR. Eles são acusados, ao lado de outras seis pessoas, de integrarem uma organização criminosa que arrecadava recursos de forma ilícita com empresários com o objetivo de financiar as próprias campanhas eleitorais e a de aliados, inclusive mediante extorsão.
Rosinha foi presa em Campos, e Garotinho, no Flamengo, na zona Sul do Rio. O ex-governador já deixou a PF, no Rio. Ele foi para o IML e, agora, está encarcerado numa cela no Corpo de Bombeiros do Humaitá, na zona Sul do Rio.
A Vara de Execuções Penais informou que vai enviar um ofício à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ao delegado e aos Bombeiros para que Garotinho seja transferido para uma unidade carcerária.
A ida para um quartel do Corpo de Bombeiros foi uma decisão do delegado, diante do risco que o ex-governador poderia correr indo para o mesmo presídio onde se encontra Cabral e Picciani. Para o advogado, Carlos Azeredo, foi uma decisão de "respeitar a integridade física do ex-governador".
O ex-secretário Suledil Bernardino do governo de Rosinha também é um dos alvos da operação, que também foi preso. Há ainda um mandado de prisão contra o ex-ministro dos Transportes Antônio Carlos Rodrigues, presidente nacional do PR. A investigação aponta que ele intermediou o repasse ilícito à campanha do ex-governador em 2014.
Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Glaucenir de Oliveira, titular da 98ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. A operação foi batizada de Caixa D´água, pois, de acordo com os investigadores, um aliado de Garotinho contou que "o esquema de arrecadação tinha que ser igual a uma caixa d'água. Primeiro, você enche, e depois sai distribuindo para quem precisar".
O dinheiro da JBS, segundo Saud, fazia parte de um montante de R$ 20 milhões usado pela empresa para comprar o apoio do PR ao PT na eleição de 2014. Os recursos representavam uma "poupança" referente a benefícios irregulares conquistados pela empresa, como linhas de crédito no BNDES.
Garotinho e Rosinha são acusados ainda de corrupção passiva, extorsão, lavagem de dinheiro e pelo crime eleitoral de omitir doações nas prestações de contas.
No pedido de prisão preventiva, o Ministério Público Eleitoral argumenta que a organização criminosa ainda está em atividade, tentando intimidar testemunhas e obstruir as investigações.
O esquema, segundo o MP, funcionou nas eleições de 2010, 2012, 2014 e 2016. A conexão com a JBS foi revelada por Saud e por outro delator, o empresário André Luiz da Silva Rodrigues. Ele é sócio da Ocean Link, empresa que assinou um contrato de fachada com a JBS, mecanismo encontrado pelo grupo para que o dinheiro chegasse à campanha de Garotinho. Rodrigues, dono de outra empresa que mantinha contratos com a Prefeitura de Campos, então comandada por Rosinha, narrou que foi avisado do depósito pelo policial civil aposentado Antônio Carlos Ribeiro da Silva, conhecido como Toninho - ele é apontado como um dos operadores financeiros de Garotinho.
Garotinho, em nota, afirmou que a operação ocorrida nesta manhã é "mais um capítulo da perseguição que vem sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral na Assembleia Legislativa". O ex-governador diz ainda que "nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum". Garotinho destacou também que a operação não tem "relação alguma com a Lava-Jato".
Mais cedo, a assessoria de Rosinha informou que "só se pronunciará quando tiver acesso aos documentos que embasaram os mandados de prisão, o que ainda não aconteceu".

Horas antes de ser preso, Garotinho celebrou prisão do deputado Jorge Picciani

Cerca de 10 horas antes de ser preso pela Polícia Federal, nesta quarta-feira, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR) fez uma transmissão ao vivo no Facebook na qual analisou, em tom de celebração, a nova prisão dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB.
Na gravação, ele também acusou outros setores do poder estadual de corrupção. O político chegou a reproduzir uma piada sobre a reunião de acusados no presídio de Benfica, no Rio. No vídeo, Garotinho preconiza que a faxina contra corruptos ainda não havia terminado.
"Tem até aquela piadinha do PMDB, o Partido do Movimento Democrático de Benfica, está todo mundo em Benfica. Os três deputados, o ex-governador (Sérgio Cabral), os seus principais auxiliares, os seus operadores, vários empresários. Uma situação terrível. É preciso que a população acorde, porque ainda não terminou a faxina. Faltam outros setores que foram altamente envolvidos com essa safadeza toda", disse ele.
O ex-governador e sua mulher, Rosinha, também ex-chefe do Executivo estadual, foram presos nesta quarta-feira. Eles são acusados, ao lado de outras seis pessoas, de integrarem uma organização criminosa para arrecadar recursos de forma ilícita com empresários e, assim, financiar as próprias campanhas eleitorais e a de aliados, inclusive mediante extorsão. Em nota, eles alegaram que não cometeram qualquer crime e que são alvos de perseguição.
Na segunda-feira, em tom semelhante de indignação, Garotinho frisou que a Operação Cadeia Velha, responsável pela prisão de Piccinai, o despertou "vergonha, vergonha, vergonha". "Ainda vai aparecer muita sujeira por aí", confiou o político. Durante a gravação no Facebook, o político reivindicou para si papel importante nas investigações contra Cabral e Picciani, em função de denúncias postadas em seu blog, e reforçou que "muito mais" estava por vir.
"Muito mais virá aí. Vocês podem anotar que muito mais. Garotinho, tem mais? Lamentavelmente, tem mais. Garotinho, tem mais gente para ser presa? Lamentavelmente. Vocês vão ver coisas que são difíceis de acreditar (...) A desmoralização é total", destacou o ex-governador, que acusou o atual, Luiz Fernando Pezão (PMDB), de continuar o esquema do antecessor.
Na transmissão, Garotinho relatou a decisão do Tribunal Região Federal da 2ª Região, que ordenou a nova prisão dos deputados após a Assembleia Legislativa mandar soltá-los.
 
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