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Porto Alegre, terça-feira, 21 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 22/11/2017. Alterada em 21/11 às 20h48min

O que Mostardas nos ensina?

Jorge Amaro de Souza Borges
O 20 de novembro é a data máxima do movimento negro brasileiro, pois aponta para o dia em que morria, lutando por liberdade, Zumbi dos Palmares, maior expoente na resistência contra a escravidão, que durou três séculos, de 1550 até 1888. Foram 300 anos em que um grupo de indivíduos não era considerado "humano" pela cor da sua pele! Este ano é o 129ª da abolição da escravatura, mas há ainda muitas barreiras a serem superadas para que negros e negras vivam em igualdade de condições com as demais pessoas em nosso País.
Mostardas, com pouco mais de 12 mil habitantes, localizado no litoral médio gaúcho, tem produzido medidas que o colocam em uma condição diferenciada em nosso Estado. O município aderiu à Década Internacional Afrodescendente, estabelecida pela ONU. Depois, designou um responsável para coordenar a Política Pública de Igualdade Racial, nomeou os membros do Conselho Municipal, garantindo o controle social, instituiu o Prêmio Zumbi e Dandara, e organizou ainda a Conferência e a Semana da temática, tudo isso, envolvendo as três comunidades quilombolas existentes em seu território (Casca, Beco dos Colodianos e Teixeiras), as escolas públicas e toda comunidade. Mas, afinal, o que Mostardas nos ensina? Sobretudo, que promover a igualdade racial passa, primeiro, por uma decisão política da gestão; segundo, pelo reconhecimento do protagonismo do povo negro como agente de sua história; e, por fim, a consciência passa por novas formas de pensar as políticas públicas, com fortalecimento dos instrumentos locais para assim, garantir a continuidade das ações a médio e longo prazo. Mostardas nos mostra que, sim, é possível um futuro que não seja mais do mesmo, e a sua construção é agora, no presente e com a participação de todos! Oliveira Silveira já destacava, em sua poesia, que "querem que a gente saiba que eles foram senhores e nós fomos escravos. Por isso te repito: eles foram senhores e nós fomos escravos. Eu disse fomos". Libertemo-nos, em comunhão, de todos os nossos preconceitos! E seremos todos livres!
Quilombola e secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Mostardas/RS
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