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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Internacional

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Zimbábue

Notícia da edição impressa de 16/11/2017. Alterada em 15/11 às 19h31min

Exército mantém Mugabe sob custódia

Veículos blindados começaram a ocupar as ruas da capital na terça-feira

Veículos blindados começaram a ocupar as ruas da capital na terça-feira


/JEKESAI NJIKIZANA/AFP/JC
Um grupo de militares ocupou ontem as ruas de Harare, capital do Zimbábue, após um comandante do Exército ameaçar intervir para acalmar a tensão em torno da sucessão do presidente Robert Mugabe, de 93 anos, há 37 no poder. Segundo os militares, Mugabe está "sob custódia" em sua casa. Ao menos um ministro, Ignatius Chombo, das Finanças, foi detido pelo grupo.
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse que falou com Mugabe por telefone. De acordo com ele, o líder do Zimbábue está mesmo confinado em sua residência, mas passa bem. Em comunicado, a presidência da África do Sul informou que irá mandar enviados especiais a Harare para se encontrar com Mugabe e o Exército local.
As movimentações nos quartéis começaram no final da noite de terça-feira. Comboios de veículos blindados começaram a se instalar nas entradas da cidade. Soldados revistavam pedestres com violência e carregavam suas armas nos postos.
Pelo menos três explosões ocorreram na cidade, e tiros foram ouvidos próximo à residência do presidente. Na sequência, o grupo controlou a rede estatal de comunicação ZBC e fez funcionários reféns antes de ler um comunicado. Ao vivo na TV pública, dois soldados não identificados afirmavam não se tratar de um golpe de Estado contra Mugabe, a quem chamam de "sua excelência", e informaram que o governante e sua família "estão sãos e salvos".
"Nós apenas temos como alvo os criminosos de seu entorno que estão cometendo crimes que causam sofrimento social e econômico ao país para que se faça justiça. Assim que nós cumprirmos com nossa missão, a situação voltará ao normal", garantiu o porta-voz, sem dizer a quem se referia.
Esta é a primeira vez que há um conflito entre Mugabe, um dos líderes mais velhos e longevos do mundo, e a esfera militar, seu pilar de sustentação. Na semana passada, o presidente expurgou seu vice, Emmerson Mnangagwa, e o acusou de planejar sua derrubada, inclusive com o "uso de bruxaria". O político, que tem o apoio dos militares e era visto como um potencial mandatário, saiu do país e disse ter sido ameaçado.
Mais de 100 funcionários de alto escalão do governo acusados de dar apoio a Mnangagwa foram punidos pela ala do regime ligada à mulher de Mugabe, Grace, agora uma das mais cotadas para substituir o rival do presidente a partir de dezembro. A primeira-dama é impopular por seus gastos vultuosos, enquanto a maioria da população passa por dificuldades. Recentemente, quatro pessoas foram presas pelas forças do regime acusadas de vaiá-la em um comício.
Uma ex-colônia britânica conhecida anteriormente como Rodésia do Sul, o Zimbábue declarou sua independência do Reino Unido em 1965, mas esta só foi reconhecida por Londres e pela ONU em 1980, quando Mugabe foi eleito primeiro-ministro em uma votação marcada por fraudes e intimidação. A pressão social sobre o presidente cresceu nos últimos anos com a crise econômica. No ano passado, o Zimbábue passou pela maior onda de protestos em uma década e alguns de seus principais aliados retiraram o apoio ao regime.
 
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