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Porto Alegre, terça-feira, 28 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

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Direitos humanos

Notícia da edição impressa de 29/11/2017. Alterada em 28/11 às 22h50min

Mirabal terá local fixo para acolher mulheres

Ocupação existe há cerca de um ano no Centro de Porto Alegre

Ocupação existe há cerca de um ano no Centro de Porto Alegre


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
Existente há cerca de um ano, a ocupação de mulheres Mirabal, no Centro de Porto Alegre, deve ganhar um espaço definitivo em breve. O local, que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica, foi alvo de ação de reintegração de posse. Em audiência de conciliação, ficou acertado que União, Estado e município encontrariam um lugar para que o grupo continuasse seu trabalho.
Segundo uma das acolhedoras da Mirabal, Anaí Antunes, a audiência foi a primeira ocasião em que todos os entes envolvidos estavam presentes, incluindo a Inspetoria Dom Bosco (dona do imóvel). "Esse é um serviço importante para a cidade e que precisa ter continuidade. Por isso, foi criado um grupo de trabalho para fundamentar o projeto de atuação e procurar um espaço definitivo", relata. A mudança para o novo local ocorrerá até maio de 2018. Na Capital, a Casa de Apoio Viva Maria também serve de abrigo para vítimas de violência, mas conta apenas com 11 vagas.
Hoje, 12 mulheres trabalham na Mirabal como acolhedoras, tanto de mulheres como de seus filhos. A casa é repleta de crianças, muitas que não podem ir à escola devido ao risco de que o agressor (muitas vezes o próprio pai) encontre a família.
Foi o caso de uma das acolhidas, que prefere ser chamada de Maria Mirabal. Ela mora há oito meses na casa, junto de uma filha de quatro anos e um filho de oito. O menino passou três meses sem ir às aulas. "Viemos para cá para romper com um ciclo de violência que já durava dois anos. Até hoje, meu ex-marido me persegue, e não posso sair sozinha", lamenta. A Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar, circula pela escola e pelos arredores da ocupação três vezes por semana.
Maria recebe tratamento psicológico e psiquiátrico dentro da casa, gratuitamente. Como não pode sair da ocupação, precisou abandonar emprego e estudos, mas trabalha acolhendo crianças e mulheres no local. "Me sinto presa, porque tive que me afastar de tudo. Quando quero muito sair, tenho que me disfarçar, pôr peruca, óculos, lenço", explica ela, que já se conformou com a ideia de mudar de cidade para retomar sua vida com segurança.
O Movimento Olga Benário, que administra a casa, está em busca de locais em outros estados que possam acolher a jovem, uma vez que ela não tem condições financeiras de se estabelecer inicialmente por conta própria. "Não queria, mas não posso ficar aqui para sempre. Ter que largar tudo também é uma forma de violência", observa.
Os filhos de Maria ainda perguntam quando voltarão para casa. "A violência doméstica afeta os filhos assim como afeta a mulher. Às vezes, até mais, porque os reflexos de ser testemunha dessa violência acabam não sendo tratados e são sentidos depois, através de sintomas como ansiedade e agressividade", diz Anaí. As crianças que chegam à Mirabal recebem atendimento psicológico, individual e coletivo, feito por profissionais voluntárias.
A acolhedora critica os órgãos públicos, que "empurram questões envolvendo a violência contra a mulher de um lado para o outro". "E se a mulher não estiver tão fortalecida como a Maria Mirabal? Não aguentará isso", avalia, lembrando que o Conselho Tutelar ameaçou tirar a guarda dos filhos da acolhida porque não estavam indo à escola, mas não ofereceu transporte para que fossem desacompanhados da mãe.
A ocupação funciona exclusivamente com doações e voluntariado. "Às vezes, falta alguma coisa, mas as pessoas são solidárias: sempre que pedimos ajuda, alguém vem", salienta Anaí.
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