Sobre o Autor
Norman de Paula Arruda Filho é presidente do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE) e do Capítulo Brasileiro do PRME da ONU Foto: /ARQUIVO PESSOAL/JC

Norman de Paula Arruda Filho

presidente do ISAE

O papel da inovação na busca pelo desenvolvimento sustentável

Nos últimos tempos, falar em inovação tornou-se quase obrigatório para o mundo corporativo. Inovar passou a ser fundamental em praticamente todos os segmentos do mercado. Com isso, assistimos o emergir da cultura da inovação e atribuímos ao substantivo uma visão extremamente positivista. Inovar virou sinônimo de "mudança para o sucesso".
Mas seria assim tão simples e definitivo? Um olhar mais atento logo percebe algumas controvérsias. O conceito de inovação está baseado no desenvolvimento de novos bens, na implantação de diferentes métodos de produção e em novas formas de organização, fatos que refletem o comportamento atual da sociedade. A edição especial de 50 anos da revista Exame, publicada em agosto, apresentou uma série de reportagens sobre as recentes mudanças no comportamento da sociedade. Seja em questões econômicas e políticas ou acerca dos padrões de produção e sobre as diferentes formas de se fazer negócios no Brasil e no mundo, as reportagens evidenciam que estamos em uma importante fase de mudança e de profundas transformações. Para os mais céticos, a redução de empregos frente a outras soluções tecnológicas, o consequente aumento da desigualdade social e a mudança no ritmo de crescimento das grandes economias são pontos preocupantes desse processo. Há, ainda, o ressurgimento de movimentos radicais e o nacionalismo exacerbado que vão de encontro à ideia de um mundo integrado, resultando no fechamento de fronteiras e na indiferença para as dificuldades de nações subdesenvolvidas.
Para os que enxergam a partir dessa perspectiva, a inovação pode ser uma grande vilã. No entanto, o outro lado desse cenário pode ser promissor. Em destaque estão a aplicação da inovação em pesquisas científicas para a cura de doenças crônicas, no desenvolvimento de novos materiais e no investimento em energias limpas e renováveis. Assistimos também transformações no campo educacional com o incentivo à adoção de novas tecnologias; a capacitação das pessoas para um novo cenário econômico; e, até mesmo, o surgimento de profissões como alternativa para o mercado. Cabe a nós encontrarmos o equilíbrio entre esses extremos e clarificarmos nossos objetivos. Assim como afirma Ricardo Voltolini em seu livro Sustentabilidade como fonte de inovação, para obter bons resultados é preciso saber por que inovar, em que inovar, como inovar, com quem inovar, que tempo dedicar à inovação e até onde devem ir. É preciso formar profissionais dotados de uma visão mais global de suas ações, que assumam papéis de protagonistas e responsáveis pela transformação que o mundo tanto precisa para se tornar um lugar mais justo e sustentável.
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