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Porto Alegre, quarta-feira, 29 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

29/11/2017 - 12h53min. Alterada em 29/11 às 18h17min

Reforma pode ter elevado desemprego na RMPA, dizem analistas

Contingente de desempregados ganhou quase 30 mil pessoas, com mais cortes em serviços

Contingente de desempregados ganhou quase 30 mil pessoas, com mais cortes em serviços


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Patrícia Comunello
O desemprego disparou em outubro na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), contrariando tendência dos últimos meses de queda e certa estabilidade, além da expectativa de maior oferta de vagas no segundo semestre e fim de ano. A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) apontou taxa de 12% no mês passado, 1,7 ponto percentual acima da anterior, que havia ficado em 10,3%. 
Analistas da pesquisa cogitam que o reaquecimento da taxa pode ter relação com a reforma trabalhista. É o maior desemprego para outubro desde 2007, quando o indicador foi de 12,4%, e a maior taxa em 2017. Além disso, a PED não registrava este nível de desocupação desde julho de 2009. O recrudescimento das taxas acontece desde o fim de 2015, com a intensificação da desaceleração da economia e instalação do quadro recessivo. Os anos de 2016 e este ano são marcados por índices acima de 10%. 
A supervisora da PED pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), Iracema Castelo Branco, avalia que as dispensas de mão de obra verificadas no levantamento podem ser efeito da migração de formas de contratação, para adoção de modalidades como contrato intermitente, que prevê trabalho trabalho por horas, dias ou semanas, ou migração para vagas exercidas por pessoas jurídicas, no fenômeno da pejotização. Também pode ser efeito da terceirização, possível agora na atividade fim das empresas. As novas regras trabalhistas entraram em vigor em 11 de novembro.    
Iracema admite surpresa com os números e diz que será importante avaliar a evolução nos próximos meses. Um motivo é que a conjuntura contraria o que costuma ser o período de fim de ano, quando há maior aquecimento, incluindo na indústria, e demanda de temporárias. Outra razão, que foi comentado na divulgação da PED, é que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, que reflete vagas com carteira e mostrou em outubro um saldo positivo no Rio Grande do Sul de mais de 8 mil postos. A equipe da PED analisou os dados para a RMPA e há saldo positivo. Para Iracema, será preciso esperar os próximos dados e verificar ajustes, pois as empresas informam sobre a movimentação de vagas até um limite de dias do mês e muitas vezes com atraso. 
Os números divulgados, na manhã desta quarta-feira (29) na sede da FEE, assinalaram que a RMPA alcançou volume de 222 mil desempregados, ante 193 mil de setembro. OU seja, são 29 mil trabalhadores a mais no mercado em busca de trabalho. O acréscimo foi de 15% frente ao mês anterior e de 6,2% em relação a outubro de 2016. Há 12 meses, a taxa estava em 10,8%. 
Na ocupação, o saldo foi de 46 mil pessoas que perderam colocação em relação a setembro. Em 12 meses, são 96 mil pessoas que ficaram sem trabalho. A região soma 1,632 milhão de pessoas. A População Economicamente Ativa (PEA) ficou em 1,854 milhão de pessoas, 17 mil a menos que em setembro. A queda indica menor contingente brigando por vaga, o que pode ter evitado desemprego ainda maior. "Há uma queda principalmente de vagas com carteira assinada", destaca Iracema. 

Serviços lideram cortes de vagas

O setor que mais cortou postos em outubro foi o de serviços, que teve saldo de 26 mil desempregados no mês frente a setembro, com recuo de 2,9% nas colocações. Depois veio a indústria de transformação, com 16 mil desempregados a mais, na diferença entre ocupados e dispensados, corte de 5,3%. Comércio registrou 7 mil desocupados, recuo de 2,1%. Apenas construção civil teve saldo positivo de 7 mil colocados.
O setor privado liderou a redução, com saldo negativo de 23 mil postos, sendo que as vagas com carteira assinada registram perda de 30 mil posições. Até os autônomos tivemos comportamento negativo em outubro, depois de crescimento no ano. O segmento teve perda de 13 mil postos, e os domésticos, de 8 mil oportunidades. Já a massa de rendimentos reais teve aumento de 2,1% nos ocupados e de 0,9% entre assalariados. O rendimento médio real ainda teve um leve fôlego de 0,5% para ocupados e de 0,7% para assalariados. "Mas é importante salientar que esses dados refletem ainda a situação em setembro, pois os valores apurados são do mês anterior. É possível que novembro tenhamos o reflexo do aumento da desocupação", esclarece a economista da FEE Cecília Hopf.
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