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Porto Alegre, terça-feira, 28 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 29/11/2017. Alterada em 28/11 às 22h50min

Porto espanhol pode ser destino da safra gaúcha

Ausência de cobrança de tributos sobre armazenagem é diferencial

Ausência de cobrança de tributos sobre armazenagem é diferencial


/IVÁN HERNÁNDEZ CAZORLA VIA WIKIMEDIA/DIVULGAÇÃO/JC
Carolina Hickmann
Após ano conturbado, o agronegócio brasileiro procura novos mercados para continuar como o principal propulsor da recuperação econômica. Neste sentido, o porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha, pode tornar-se importante ponto de logística para produtos brasileiros - em especial, para os grãos, carnes e frutas produzidos no País.
Com proximidade de 100 quilômetros da costa africana, o porto tem como diferencial o fácil acesso ao mercado emergente da África, tanto para produtos a granel quanto para manufaturados. Além disso, é possível transformar produtos brasileiros em europeus em sua Zona Franca, através de processos que alterem o HS-Code (código de classificação de commodities), como, por exemplo, o descasque de arroz. O processo diminui custos e elimina amarras portuárias da exportação.
Em evento organizado pela Secretaria de Agricultura e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), representantes do agronegócio do Estado e uma delegação espanhola composta por representantes do governo e autoridades portuárias estiveram reunidos ontem à tarde, na Fiergs, para verificar novas possibilidades de negócios. Las Palmas tem fluxo de 1,2 milhão de contêineres anuais e desenvolve terminal voltado ao armazenamento de grãos, com capacidade para receber navios de até 70 mil toneladas e um calado de 14 metros.
O diretor do departamento de promoção internacional do Agronegócio do Mapa, Evaldo da Silva Júnior, lembra que, até então, a produção brasileira com destino ao continente africano tinha como primeira parada o porto de Rotterdam, na Holanda, para depois seguir para seu destino final. "Os portos africanos não têm capacidade de receber grandes embarcações, o que obriga uma redistribuição em cargueiros menores", explica Silva, ao enfatizar que o percurso poderia ser encurtado em seis a 10 dias com rota por Las Palmas.
A otimização da logística foi defendida também pelo gerente da Fundação do Porto das Ilhas Canárias, Sérgio Galvan, que fez apresentação da estrutura do local, que conta com capacidade de armazenamento de 45 mil toneladas e disponibilidade atual de 13 mil toneladas. Diferentemente de outros portos, Las Palmas não determina tempo máximo de permanência de mercadorias em seus silos, diz Galvan, e não impõe tributos sobre a armazenagem. "O que será cobrado será apenas a operacionalização, impostos não são aplicados", destaca.
Presente no evento, o diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Thiago Barata, lembrou que o continente africano é destino de 39% do total do arroz produzido no Estado, que representa 70% da produção nacional. "Além de nosso maior mercado, notamos potencial de expansão no continente", disse.
A reunião foi gerada a partir de missão realizada pelo ministro adjunto da Agricultura, Eumar Novacki, e pelo secretário da Agricultura, Ernani Polo, na Espanha. O secretário espera que, a partir da vinda dos representantes espanhóis ao Brasil, se possa avançar nas negociações, dada a demanda por produtos alimentícios crescente no continente africano. "É uma grande oportunidade de exportações que se inicia a se abrir para os produtos agropecuários gaúchos", destaca.

Rússia deve retomar importações no curto prazo, avalia representante do Mapa

Na semana passada, o serviço de vigilância sanitária russo anunciou sanção as carnes bovinas e suínas brasileiras a partir de 1 de dezembro. A medida, na avaliação do diretor do departamento de promoção internacional do Agronegócio do Mapa, Evaldo da Silva Júnior, trata-se de uma tentativa de pressão para que o Brasil abra mercado ao pescado e ao trigo russo. "Muito embora se tenha um viés sanitário, alegadamente, no fundo é uma questão comercial", afirma.
Segundo o departamento russo, a medida se deve à detecção na carne exportada de substâncias como ractopamina e outros estimulantes para o crescimento da massa muscular dos animais. Na avaliação de Silva, o mercado para as proteínas brasileiras será reaberto no curto prazo. "(Os russos) sofrem embargo da Europa e dos Estados Unidos, e precisam se abastecer de algum lugar", argumenta, ao lembrar que o principal fornecedor, por meio do agronegócio, é o Brasil.
O embargo norte-americano à carne brasileira, iniciado em junho, também trata-se de uma questão comercial, no entendimento de Silva. "É por pressão econômica em razão da redução da cota de importação do etanol norte-americano", diz. Sem arriscar prazos de término, Silva argumenta que houve ruídos no entendimento do acontecido. "É sobre um produto específico de um frigorífico específico", alega.
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