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Porto Alegre, terça-feira, 28 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 29/11/2017. Alterada em 28/11 às 21h01min

Para analistas, 2018 será promissor para a economia, mas com riscos

Kawall (e), Barbosa Filho (c) e Schuler (d) estiveram em seminário

Kawall (e), Barbosa Filho (c) e Schuler (d) estiveram em seminário


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
Pelo menos pelo viés econômico, 2018 deve ser um bom ano. Segundo analistas reunidos ontem na Capital para o tradicional Seminário Econômico da Fundação CEEE, a inflação não parece assustar, os juros continuarão baixos e, puxado pelo consumo das famílias, o País deve crescer em torno de 2,5%. Mesmo assim, porém, haveria riscos pela deterioração das contas públicas, pela insuficiência energética e, claro, pela corrida presidencial, com resultado pouco previsível.
"O cenário é promissor para 2018, dando continuidade à recuperação iniciada em 2017, que deve ficar em 0,8%, mas será um ano de perigos", resume o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à FGV, Fernando de Holanda Barbosa Filho. O economista argumenta que o cenário internacional é positivo, com juros baixos e inflação controlada na maioria dos países, mas salienta que não se pode contar com isso por muito tempo. O maior risco, argumenta, vem pelo lado fiscal. "Sem a reforma da Previdência, um equilíbrio é impossível. E, mesmo assim, é provável que tenhamos aumento de impostos em algum momento", projeta. O primeiro superávit primário, por exemplo, só viria em 2022 ou 2023, na projeção do pesquisador.
Barbosa ainda cita temores com a baixa produtividade, que, na sua opinião, precisaria de políticas voltadas à melhoria no indicador para compensar o fim do bônus demográfico, e também com ameaças no campo de energia. "Hoje, o problema é o preço, mas há preocupação com a capacidade para daqui dois ou três anos", continua.
Economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall vai na mesma linha do controle das contas, acrescentando a preocupação com a possibilidade de o Brasil repetir as dificuldades de prefeituras e estados, como o próprio Rio Grande do Sul. "Já sabemos qual é a saída desorganizada para a crise, que é o que os estados estão fazendo, atrasando as contas, não pagando; e o futuro do País, em breve, pode ser esse também", afirma Kawall.
A crise profunda, segundo o economista-chefe, deixou sequelas não só nas contas públicas, mas também desalavancou o setor privado. As grandes empresas, endividadas, estariam passando por ajustes muito duros, o que não permite prever uma retomada dos investimentos, até pela capacidade ociosa das empresas. Já as pessoas físicas, que também passaram pelo processo, estariam em um estágio mais avançado. "O crescimento em 2018 virá pelo consumo, com o crédito se recuperando, e alguns setores, como o automobilístico e o de bens duráveis dando sinais de recuperação, ainda que sobre bases muito depreciadas", projeta Kawall.
Outro grande gerador de incertezas, segundo os analistas, reside no processo eleitoral. Os agentes do mercado financeiro temem uma radicalização no próximo governo, que poderia desestabilizar o cenário. "O Lula 'paz e amor', pelo menos até 2008, fez um governo seguindo a cartilha do mercado. Já o Jair Bolsonaro é uma total incerteza, pois nunca administrou nada", comentou Barbosa sobre os dois pré-candidatos que estariam assumindo posições mais aos extremos do espectro político.
O cientista político Fernando Schüler, porém, relativiza o potencial do deputado federal carioca, segundo lugar nas pesquisas de opinião até aqui. "O Bolsonaro vem crescendo na base da guerra cultural, mas parece ser pouco viável", projeta Schüler. O analista prevê que, quando o processo eleitoral começar para valer, com as estruturas partidárias na rua, perderão espaço os candidatos sem uma base mais consistente, com pouco tempo de propaganda e pequena fatia do financiamento público de campanha.
"Marina Silva e Ciro Gomes, em outras eleições, já sentiram isso. Período pré-eleitoral é uma coisa, mas a eleição é diferente", argumenta Schüler, que, por isso, afirma não ver a eleição presidencial como terreno fértil para nomes estranhos à política tradicional.
 
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