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Porto Alegre, quarta-feira, 08 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Consumo

Notícia da edição impressa de 09/11/2017. Alterada em 08/11 às 21h51min

Varejo projeta recuperação gradual das vendas em 2018

Schüler criticou a alta carga tributária e os incentivos fiscais concedidos a diversos segmentos econômicos

Schüler criticou a alta carga tributária e os incentivos fiscais concedidos a diversos segmentos econômicos


/MARCO QUINTANA/JC
Adriana Lampert
Ainda vai levar tempo para as vendas do varejo voltarem ao patamar elevado do início de 2014, quando a crise econômica brasileira começava a se propagar. Mas o cenário é de recuperação gradual do crescimento, de acordo com palestrantes de encontro promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, com o objetivo de traçar os possíveis cenários político e econômico para o País no ano que vem. Retomada da confiança, melhoria da massa de rendimentos, e queda da inflação e dos juros devem estimular o consumo, segundo o economista Marcelo Portugal. O especialista observou que, após dois anos de índices negativos - tendo caído 3,6% em 2016 -, a perspectiva é de que, no final de 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça perto de 1%. "O problema é que a queda do PIB foi muito expressiva nos últimos anos, o que só deve ser sanado lá por 2021", comentou Portugal.
Exclusivo para empresas associadas à entidade, o evento Superando a crise - o que fazer para crescer em 2018? foi realizado na tarde de ontem, no Centro Histórico Cultural Santa Casa, em Porto Alegre - e contou com dezenas de empresários do Interior. Cerca de 250 pessoas estiveram presentes, para ouvir as perspectivas de Portugal e do cientista político Fernando Schüler. Além deles, empresários de grandes redes varejistas também foram convidados a abordar as estratégias a serem adotadas para enfrentar o próximo ano. Entre eles, o presidente do Grupo Dimed, Julio Mottin Neto, destacou que, por ser um ano de eleições, 2018 tende a ser melhor, uma vez que deve dar um rumo à questão política, "que vem atrapalhando bastante a economia". "Em termos de empresa, continuamos com nosso ritmo de expansão sustentável, com previsão de inaugurarmos entre 46 e 48 lojas no decorrer do ano que vem", anunciou Mottin.
Olhar atentamente ao caixa da empresa, evitar acelerar o crescimento - para não quebrar logo em seguida -, buscar os canais eletrônicos e "olhar para a frente" foram as dicas do presidente do Grupo Dimed, principalmente para os pequenos varejistas. Na avaliação de Mottin, a reforma trabalhista foi um avanço dentro de um ambiente político muito desfavorável, com pouca capacidade de articulação. A ausência de consenso no cenário político também foi destaque da palestra de Schüler. "O Brasil é um país de democracia instável, onde questões fundamentais não têm um acordo de como serem resolvidas, onde há baixa consonância sobre o próprio funcionamento das regras", apontou. Para o cientista político, a crise é resultado de uma série de decisões políticas do País. Ele criticou o fato de que, em meio a uma alta carga tributária, exista uma série de incentivos fiscais, por conta de lobby de diversos setores da economia junto ao Congresso.
"Temos hoje algumas empresas comemorando vendas acimas de dois dígitos, mas a média da maioria é de 4,4% de crescimento em outubro", comentou o presidente do CDL, Alcides Debus. Ele projeta que o avanço do setor frente a 2016 fique neste mesmo patamar. "Para 2018, o cenário deve se manter de crescimento gradual, mas quem não se preparou ainda vai sofrer mais um pouco, porque o mercado não estará aquecido como antes." O presidente das Lojas Lebes, Otelmo Drebes, opinou que a instabilidade política deve continuar em 2018, apesar das eleições. Ele avaliou que o crescimento da econômica deve "ser lento, gradual e constante". Para o empresário, não há mais espaço para amadores no mercado. "Um conjunto de fatores, desde a valorização da marca, dos vendedores, dos clientes, é a receita para o crescimento salutar das empresas no ano que vem", sugeriu Drebes. "Trabalhar com recursos próprios, sem se endividar, é o melhor caminho para driblar a crise."
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